Trilhas da Cena

2018

Uma pessoa com um vestido escuro esvoaçante corre em direção à câmera, em silhueta contra uma luz branca brilhante com janelas ao fundo. Foto: Regina Peduzzi Protskof

A mulher arrastada

Rio de Janeiro, 2014. Cláudia Silva Ferreira – mulher negra, pobre, 38 anos, mãe de 4 filhos biológicos e 4 adotivos – é brutalmente alvejada pela Polícia Militar ao sair de casa no Morro da Congonha (RJ) para comprar pão pra sua família. Após, seu corpo é atirado às pressas no camburão da viatura e arrastado ainda com vida em meio ao tráfego da capital fluminense sob o olhar horrorizado de motoristas e pedestres. Entrelaçando fato verídico e ficcional, esta peça-manifesto mostra a figura trágica de Cláudia reivindicando o que durante a cobertura jornalística do caso foi aos poucos apagado: o seu nome, elemento este que foi substituído pela impessoal, violenta e cruel alcunha de “Mulher Arrastada”.

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O Rei Louco

O Rei Louco é uma adaptação da peça Rei Lear, de Willian Shakespeare. Nela apenas dois atores tentam transmitir ao público a trajetória de um velho rei que, ao dividir o seu reino entre as três filhas: Goneril, Rejane e Cordélia, mas desejando manter as regalias e honras do seu posto real, sofre as consequências de seu ato precipitado.Nesta versão, entremeada de narrativas que situam os espectadores sobre o contexto da obra, optamos pela relação entre Lear e conde de Kent, que o acompanha do início ao fim da fábula. O debate que envolve a tragédia, recai sobre questões cotidianas que se estendem no tempo: Quem é a vítima e quem é o vilão da história?

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Teatro La Independencia

O Teatro La Independencia está sendo vendido para um empreendimento e o grupo que reside nele terá de concordar em abandonar o espaço ou permitir que sejam relocados num outro. No meio disso, os atores estão ensaiando o novo espetáculo que fala sobre América Latina. O espetáculo transita entre a realidade que se impõe e as nossas utopias, sonhos, desejos, onde essa utopia é transportada para essa América Latina que também é utópica. O que é ser latino-americano? Vendemos ou não vendemos La Independência? Eis a questão!

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Medeia Negra

Medeia é vista, por nós, como a fundação de uma exclusão fundamental para o patriarcado: a invisibilização da voz feminina. Sob o nome de “bárbaro” se justifica o exílio e a divisão do mundo entre civilização e barbárie. A peça vai então revelar, para o público, outras possíveis leituras do mito.

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foto: Silvia Machado

Solos de Rua

“Solos de Rua” inspira-se no texto manifesto “As Embalagens”, de Tadeusz Kantor. Trata-se de um jogo coreográfico no qual as bailarinas e a lona se afetam mutuamente em espaços públicos de grande circulação, misturando-se à paisagem local. Não é possível saber, ao certo, o que emerge de dentro da multidão. O que se sabe é que, de vez em quando, não convém permanecer em silêncio, pois é urgente mover,dobrar(-se), friccionar, atar, ocultar, revelar, desviar, dizer e não apaziguar. Criado a partir da performance solo de Luciana Bortoletto “Solo de Rua”, de 2012 e contemplado com o prêmio Denilto Gomes/ 2013, em 2016 foi recriado dentro do projeto Vir-a-Ser, para manutenção de pesquisa, contemplado pela XX Edição do Edital de Fomento à Dança da cidade de São Paulo.

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Três mulheres com expressões variadas estão em fila, parcialmente visíveis no canto direito da imagem, com as mãos levantadas na altura de seus rostos em foco. Elas estão vestidas em tons de vermelho, branco e cinza, em um fundo escuro. Foto: Renato Mangolin

O tempo não dá tempo

Com texto do humorista e poeta Gregório Duvivier, do escritor Gonçalo M. Tavares e do dramaturgo Oscar Saraiva, o espetáculo O Tempo Não Dá Tempo é uma montagem itinerante com direção de Duda Maia, e reuniu diferentes gerações como a bailarina e coreógrafa Angel Vianna – celebrando 90 anos de vida, Ciro Sales, Juliana Linhares, Marina Vianna e Oscar Saraiva.

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O Lago dos Cisnes

O Lago dos Cisnes é um balé com música especialmente composta por Tchaikovsky que estreou em 1877 no Teatro Bolshoi, mas somente em 1895, com nova coreografia de Marius Petipa e Lev Ivanov, para o teatro Mariinsky, em São Petersburgo, se tornou um enorme sucesso. O Lago dos Cisnes da São Paulo Companhia de Dança é feito sob medida para os artistas da casa. A coreografia de Mario Galizzi dialoga com a tradição e se renova nas relações dos personagens, no detalhe das pantomimas, nos desenhos das cenas, em sintonia fina com a música emblemática de Tchaikovsky e coloca todos os artistas em cena.

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Uma mulher em uma sala escura segura uma tigela e um tambor, usando roupas pretas e miçangas. Atrás dela, há pessoas assistindo. O texto no canto superior esquerdo diz: O Teatro e a Democracia Brasileira Parte Um.

Quaseilhas

Quaseilhas (1º crioullage), fundamenta-se através de performances, visualidades e sonoridades dentro dos vazios da memória afrodiaspórica das Araújas, família materna do autor Diego Araúja; descendentes de negras e negros da etnia yorùbá ijesa, da cidade nigeriana de Iléṣà. Usando da literatura oral yorubana, Araúja compõe um oríkì para a sua família e a comunidade de Alagados de Itapagipe. Exercita, através dessa performance oral, a substituição do esquecimento pela invenção. O artista compõe o oríkì totalmente na língua yorùbá. O idioma foi a língua base de um falar crioulo, doméstico – hoje extinto –, de sua família materna. Dentro do núcleo familiar, era chamado de “trocar língua”.

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