Fala, Ìbejì
Cooxia Coletivo Teatral
Direção e Argumento: Guilherme Hunder
Salvador (BA)
Estreia: 2026
Página atualizada em 29/10/2026
Fotos: Isabela Bugmann
Em uma comunidade de terreiro, a rua inteira se mobiliza para o caruru em homenagem aos Ìbejì, os orixás gêmeos. Temperos, cantos, danças e brincadeiras anunciam a festa, até que a chegada inesperada da Morte ameaça interromper a celebração.
Inspirado nos itans da tradição iorubá, Fala, Ìbejì é um espetáculo infantojuvenil musicado do Cooxia Coletivo Teatral que transforma o espaço público em terreiro de celebração coletiva. Entre a alegria do ritual e a imprevisibilidade da vida, a montagem convida crianças e adultos a festejar a ancestralidade e a resistência das tradições afro-brasileiras.
Dia 01/11, às 17h
Largo do Campo Grande
Duração: 45 minutos
Classificação indicativa: Livre
TRADUÇÃO EM LIBRAS
Ingresso: Acesso gratuito
O espetáculo
Fala, Ìbejì parte de uma escolha que atravessa toda a montagem: a rua não é cenário, é território. Território de encontro, de brincadeira, de celebração e de pertencimento e, antes de tudo, lugar democrático de acesso à arte e à cultura. Concebida para o espaço público, a encenação se constrói no contato direto e participativo com os espectadores, transformando a rua em um grande terreiro de celebração coletiva.
A história nasce dos itans da tradição iorubá. Uma comunidade periférica se prepara para celebrar o caruru em homenagem aos Ìbejì, os orixás gêmeos, quando a chegada inesperada da Morte ameaça interromper a festa. É nesse tensionamento que o espetáculo se ergue: uma celebração que precisa acontecer apesar de tudo, afirmando a alegria como gesto de memória e de continuidade.
Entre cantos, danças, jogos e muita brincadeira, a montagem articula elementos do candomblé, da cultura popular nordestina e das festas de Cosme e Damião, celebrando a ancestralidade e a resistência das tradições afro-brasileiras. A pesquisa estética do coletivo investiga o universo das feiras populares como linguagem: suas cores, seus objetos, suas dinâmicas e suas sonoridades são incorporados à construção da cena, contaminando o corpo dos intérpretes e a própria paisagem da rua.
Na trilha musical, ritmos como o samba e o pagode baiano dialogam com as sonoridades dos terreiros, criando uma atmosfera festiva que aproxima tradição e contemporaneidade. A música não acompanha a cena: ela conduz a festa, convoca o público e sustenta o tom poético da narrativa.
A montagem investiga ainda a Língua Brasileira de Sinais como linguagem de criação cênica. Fala, Ìbejì constitui-se como um espetáculo integralmente bimodal, no qual a Libras está incorporada à atuação e à dramaturgia, ampliando as possibilidades de comunicação e de expressão artística. A peça é uma obra que convida crianças e adultos a celebrar a vida, a memória e a continuidade dos saberes ancestrais.
Ficha técnica e artística
Direção e argumento: Guilherme Hunder
Texto e dramaturgia: Luiz Antônio Sena Jr.
Elenco: Anderson Danttas, Ane Ventura, Fernanda Silva, Gabriel Nafisi e Lari Libório
Assistente de direção: Lucas Oliveira
Direção musical e trilha sonora: Filipe Pires e Ray Gouveia
Canções: Ray Gouveia a partir das letras de Luiz Antônio Sena Jr.
Preparação vocal: Manuela Rodrigues
Gravação e mixagem: Estúdio Mangus
Coreografias: Márcio Fidelis
Preparação corporal: Brunno de Jesus (Oficina Pisa Pé enquanto pensamento coreográfico)
Cenografia: Erick Saboia
Cenotecnico: Cláudio Carijó
Iluminação: Marcus Lobo
Figurino: Guilherme Hunder
Coordenação de costura: Saraí Reis
Costura: Cleverton Santos, Vanda Pires e Luzia Passos
Visagismo, maquiagem e adereços: Elis Brito
Assistente de visagismo, maquiagem e adereços: Letícia Aranha
Assessoria pedagógica e mediação artística: Silara Aguiar
Formação em acessibilidade estética: Clarissa Costa
Oficina, consultoria e intérprete de LIBRAS: TJ Weber
Produção: DAGENTE Produções
Direção de produção: Luiz Antônio Sena Jr.
Produção executiva: Lucas Oliveira
Assistente de produção: Gabriella Hunder
Assessoria de imprensa: Rafael Brito
Gerenciamento de redes sociais: Jean Teixeira
Design gráfico: Diego Moreno
Registro fotográfico: Isabela Bugmann
Registro audiovisual: Rogério Vilaronga
Gestão do Projeto Dupla de Dois: Guilherme Hunder
Realização: Cooxia Coletivo Teatral
O Cooxia Coletivo Teatral é um grupo artístico de Salvador, Bahia, que desenvolve, desde 2015, uma trajetória dedicada à pesquisa, criação, produção e circulação de espetáculos teatrais, além de projetos de formação artística e cultural. Ao longo de sua atuação, o coletivo consolidou uma identidade marcada pela experimentação de linguagens, pelo diálogo com questões sociais e pelo desenvolvimento de pesquisas voltadas às infâncias e juventudes, com especial atenção às perspectivas afrocentradas. Em seu repertório, destacam-se obras como Avesso (2016), O Jabuti e a Sabedoria do Mundo (2019), Zumbindo (2021), Flor de Julho (2023), Infinito (2024) e Fala, Ìbejì (2026). Realizado em parceria com a Fidélis Cia de Dança, o espetáculo Infinito foi premiado e circulou por diversas regiões do Brasil por meio do projeto Palco Giratório, do Sesc.
No campo da formação, o Cooxia desenvolveu projetos como A Cidade que Queremos e Brasil Africano, que promoveram oficinas de teatro para jovens, ampliando o acesso à formação artística e estimulando processos de criação e expressão. O coletivo também se destaca pela realização, ao longo de oito anos, do Festival Estudantil de Artes Cênicas da Bahia (FESTAC), iniciativa dedicada à valorização da produção artística estudantil, à formação de novos artistas e ao intercâmbio de experiências nas artes cênicas. Por meio de espetáculos, oficinas, festivais e ações de mediação cultural, o Cooxia reafirma seu compromisso com a democratização do acesso à cultura, a valorização das matrizes afro-brasileiras e o fortalecimento das artes cênicas na Bahia.
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