Trilhas da Cena

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O teatro e a democracia brasileira

Uma foto em preto e branco mostra dois artistas em uma cama de hospital com rodas. Uma pessoa fica de pé e agita fitas, enquanto a outra empurra a cama. Ambos usam trajes teatrais; um tecido drapeado e uma plateia são visíveis ao fundo.
Foto: Márcio Vasconcelos
Centro de Pesquisa em Artes Cênicas - CPAC / Grupo Ya'wara (MA)

Estreia: 1998

A Missão, de Heiner Muller, provoca uma reflexão profunda sobre a história e o exercício do poder. Aborda problemas de interesse da América Latina, destacando temas de dominação-colonização e o processo escravagista, com ênfase no papel revolucionário do negro. Contextualizado pelos ideais da Revolução Francesa e sua influência contemporânea, evoca cenicamente a revolta de pessoas escravizadas do Caribe. A encenação tornou-se um desafio para o CPAC em pesquisa interdisciplinar e atuação cênica.

Acervo de Renato Mangolin

Foto: Renato Mangolin
Cia PeQuod (RJ)

Estreia: 2021

A peça infantil Pinóquio é a primeira opereta da Cia PeQuod Teatro de Animação, em parceria com o músico e arranjador Tim Rescala, comemorando 21 anos da premiada companhia. O espetáculo, voltado a todos os públicos, é uma adaptação fiel à fábula de Carlo Collodi, e conta a história do boneco de madeira que sonha em ser gente, através da linguagem musical, mas com fortes referências ao Circo do século XIX.

Para pesquisar a fundo.

Projeto – O teatro e a democracia brasileira

O teatro e a democracia brasileira

Uma pessoa usando um gorro preto se segura em uma grade de metal que, na verdade, é um compartimento inferior de uma cadeira estudantil, destinado à colocação de materiais escolares. Uma iluminação dramática projeta sombras em seu rosto. Ela está olhando através das grades, com a boca aberta e com uma fisionomia expressiva e enérgica.
Foto: Almir Bindilatti
Grupo de Teatro do Liceu de Artes Ofícios da Bahia (BA)

Estreia: 1996

Cuida Bem de Mim conta a história de uma escola pública que enfrenta as manifestações da violência expressas no conflito de dois grupos, que transformam a sala de aula em verdadeira batalha campal. Ao lado disso, ocorre uma história de amor entre dois adolescentes líderes de grupos rivais que, por um golpe de destino, se veem confrontados em suas escolhas de vida, desejos e significados afetivos e sociais. O romance acontece em um momento crítico, quando a atmosfera da violência contamina todo o ambiente, o que os obriga a refletirem sobre o papel da educação na vida de cada um.

O teatro e a democracia brasileira

Associação Cultural Joana Gajuru (AL)

Estreia: 1997

Primeiro espetáculo de palco do grupo Joana Gajuru, A Farinhada narra a história de Pedro Bom e Rosa Maria, que junto com os trabalhadores de uma casa de farinha do interior alagoano, sofrem a opressão e perseguição do patrão. Ficou no repertório do grupo Joana Gajuru até 2006. Nesse período, ganhou cerca de 30 prêmios, mais de 50 indicações, percorreu mais de 30 cidades do País e foi vista por mais de 100 mil pessoas.

O teatro e a democracia brasileira

Uma mulher em uma sala escura segura uma tigela e um tambor, usando roupas pretas e miçangas. Atrás dela, há pessoas assistindo. O texto no canto superior esquerdo diz: O Teatro e a Democracia Brasileira Parte Um.
Foto: Guto Muniz
Diego Araúja (BA)

Estreia: 2018

Quaseilhas (1º crioullage), fundamenta-se através de performances, visualidades e sonoridades dentro dos vazios da memória afrodiaspórica das Araújas, família materna do autor Diego Araúja; descendentes de negras e negros da etnia yorùbá ijesa, da cidade nigeriana de Iléṣà. Usando da literatura oral yorubana, Araúja compõe um oríkì para a sua família e a comunidade de Alagados de Itapagipe. Exercita, através dessa performance oral, a substituição do esquecimento pela invenção. O artista compõe o oríkì totalmente na língua yorùbá. O idioma foi a língua base de um falar crioulo, doméstico – hoje extinto –, de sua família materna. Dentro do núcleo familiar, era chamado de “trocar língua”.

O teatro e a democracia brasileira

Foto: Rennan Peixe
Teatro de Fronteira (BA)

Estreia: 2020

“Luzir é Negro” é um espetáculo autobiográfico do ator e cantor Marconi Bispo, dirigido por Rodrigo Dourado e produzido pelo Teatro de Fronteira. A peça investiga o racismo através das memórias de um homem negro, gay, candomblecista e periférico, entrelaçando sua trajetória pessoal, teatral e espiritual com textos teatrais e debates sobre questões raciais contemporâneas. A dramaturgia transita entre passado e presente, público e privado, ficção e realidade, explorando a encruzilhada entre luz e escuridão.

O teatro e a democracia brasileira

Foto: Marina Borck
ERRO Grupo (SC)

Estreia: 2007

Enfim um Líder é a obra mais ambiciosa do ERRO Grupo, um acontecimento imersivo que ultrapassa o teatro tradicional. Durante 3 dias consecutivos (42 horas), cidadãos participam de uma recepção ao Líder, das 6h às 20h, culminando com sua chegada no terceiro dia. O projeto transforma centros urbanos em espaço de experiência coletiva, ocupando e se diluindo simultaneamente no cotidiano. Representa a continuação da pesquisa do grupo sobre intervenção urbana desde 2001, funcionando como um acontecimento histórico, político e social que desafia todos os envolvidos.

O teatro e a democracia brasileira

Foto: Marina de Almeida Prado
Coletivo Estopô Balaio (SP)

Estreia: 2014

Espetáculo itinerante criado pelo Coletivo Estopô Balaio que conduz o público em jornada teatral pela Linha 12-Safira da CPTM, de São Paulo. O percurso inicia na Estação do Brás e segue até o Jardim Romano, na zona leste, onde intervenções artísticas — dança, rap, performances e instalações multimídia — se entrelaçam com as memórias dos moradores sobre a enchente de 2009. Terceira parte da “Trilogia das Águas”, o trabalho resgata histórias de migrantes nordestinos e pratica o “contrateatro”, uma abordagem anticolonial que transforma o deslocamento físico em construção de memória coletiva.

O teatro e a democracia brasileira

Uma foto em preto e branco mostra dois artistas em uma cama de hospital com rodas. Uma pessoa fica de pé e agita fitas, enquanto a outra empurra a cama. Ambos usam trajes teatrais; um tecido drapeado e uma plateia são visíveis ao fundo.
Foto: Márcio Vasconcelos
Centro de Pesquisa em Artes Cênicas - CPAC / Grupo Ya'wara (MA)

Estreia: 1998

A Missão, de Heiner Muller, provoca uma reflexão profunda sobre a história e o exercício do poder. Aborda problemas de interesse da América Latina, destacando temas de dominação-colonização e o processo escravagista, com ênfase no papel revolucionário do negro. Contextualizado pelos ideais da Revolução Francesa e sua influência contemporânea, evoca cenicamente a revolta de pessoas escravizadas do Caribe. A encenação tornou-se um desafio para o CPAC em pesquisa interdisciplinar e atuação cênica.

O teatro e a democracia brasileira

Foto: Iury de Carvalho Lobo e Wallace Lino
Coletivo Arame Farpado (RJ)

Estreia: 2017

Arame Farpado é um espetáculo que emerge da exclusão de estudantes de favela e periferias na universidade. Criado coletivamente através de memórias pessoais e experiências vividas, o trabalho rompe barreiras entre cena e plateia, buscando autenticidade e experimentação. Inspirado no Teatro do Oprimido, questiona convenções teatrais tradicionais para dar voz e poder a narrativas marginalizadas nas artes cênicas.

O teatro e a democracia brasileira

Pandêmica Coletivo Temporário de Criação

Estreia: 2020

12 Pessoas com Raiva simula um júri que é convocado a se apresentar online, por contra da pandemia do COVID-19, e deve chegar a um veredito unânime sobre um assassinato envolvendo pai e filho. Tal situação poderia ser resolvida rapidamente, não fosse a presença de uma mulher que, não estando totalmente convencida sobre a culpa do garoto, vota por inocente. A partir daí, acompanhamos de perto conflitos e arquétipos típicos da atual sociedade brasileira.

o teatro e a democracia brasileira

Foto: Guto Muniz
Renata Carvalho (SP)

Estreia: 2019

Manifesto Transpofágico é um espetáculo teatral solo de Renata Carvalho que ressignifica o Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade sob perspectiva transgênero. Mesclando autobiografia, ficção e intervenção política, a montagem utiliza projeções, cenografia minimalista e trilha eletrônica para explorar corpos em constante transformação. Desde 2019, circula por festivais nacionais e internacionais.

O teatro e a democracia brasileira

Uma pessoa com um vestido escuro esvoaçante corre em direção à câmera, em silhueta contra uma luz branca brilhante com janelas ao fundo. Foto: Regina Peduzzi Protskof
Foto: Regina Peduzzi Protskof
Diones Camargo e Adriane Mottola (RS)

Estreia: 2018

Rio de Janeiro, 2014. Cláudia Silva Ferreira – mulher negra, pobre, 38 anos, mãe de 4 filhos biológicos e 4 adotivos – é brutalmente alvejada pela Polícia Militar ao sair de casa no Morro da Congonha (RJ) para comprar pão pra sua família. Após, seu corpo é atirado às pressas no camburão da viatura e arrastado ainda com vida em meio ao tráfego da capital fluminense sob o olhar horrorizado de motoristas e pedestres. Entrelaçando fato verídico e ficcional, esta peça-manifesto mostra a figura trágica de Cláudia reivindicando o que durante a cobertura jornalística do caso foi aos poucos apagado: o seu nome, elemento este que foi substituído pela impessoal, violenta e cruel alcunha de “Mulher Arrastada”.

o teatro e a democracia brasileira

Uma pessoa vestindo camisa branca e calça amarela agacha-se energicamente entre plantas verdes, com um rosto expressivo e punhos erguidos, em frente a uma parede cor de ferrugem. Foto: Guto Muniz
Foto: Guto Muniz
Teatro Negro e Atitude (MG)

Estreia: 2007

Baseado na mitologia Ashanti, (grupo étnico-linguístico localizado em Gana – País do oeste africano) o espetáculo narra as aventuras vividas por um velho de nome Kwaku Ananse para trazer do céu as histórias guardadas por Nyame – O deus do céu, num baú encantado que só lhe será entregue após serem cumpridas três importantes tarefas, capturar: Ozebo – O leopardo de dentes terríveis, Nmboro – O maribondo que ferroa como fogo e Moatha – A fada que nunca foi vista, missão que só se fará possível graças à grande sabedoria desse herói – dádiva que só o tempo traz.

O teatro e a democracia brasileira

Um grupo de artistas fica lado a lado no palco, voltado para a frente. Eles usam trajes e acessórios de cabeça coloridos e minimalistas, com uma iluminação dramática que destaca suas expressões e corpos. Foto: Isabel Gouveia
Foto: Isabel Gouveia
Bando de Teatro Olodum (BA)

Estreia: 1995

Zumbi está vivo e continua lutando é a terceira versão da peça teatral Zumbi, criada em 1995 por Marcio Meirelles, Aninha Franco e o Bando de Teatro Olodum. Uma segunda versão foi criada logo na sequência e apresentada em Londres, na Inglaterra. Ainda em 1995, com o retorno de Marcio Meirelles para o Brasil, foi realizada a terceira versão: Zumbi está vivo e continua lutando. O projeto faz parte das homenagens organizadas em torno dos 300 anos da morte do líder negro Zumbi, um dos principais organizadores do Quilombo de Palmares. A peça resgata o contexto histórico de Palmares e contribui para ampliar o processo de discussão sobre o negro na sociedade atual, ainda, em sua maioria, marginalizado e vivendo em situação de pobreza.

O teatro e a democracia brasileira

Um homem de barba está de pé com os braços estendidos, agindo apaixonadamente em frente a uma imagem projetada que mostra duas figuras - uma voltada para a frente com os braços abertos como o primeiro homem, vestido roupa de cangaceiro e outra vista por trás - em meio a uma cena dramática de conflito armado. Foto: Carlos Gomes
Foto: Carlos Gomes
Grupo Teatro Carmin (RN)

Estreia: 2017

Um diretor é contratado por uma grande produtora para realizar a missão de selecionar um ator nordestino que possa interpretar com maestria um personagem nordestino. Depois de vários testes e entrevistas, dois atores vão para a final e o diretor tem sete semanas para deixá-los prontos para o último teste. Durante as 7 semanas de preparação, os atores refletem sobre sua identidade, cultura, história pessoal e descobrem que ser e viver um personagem nordestino não é tarefa simples.

O teatro e a democracia brasileira

Uma mulher idosa está sentada em uma cadeira vermelha lendo um pedaço de papel, enquanto uma mulher mais jovem ao lado dela, vestida com uma jaqueta amarela, está inclinada com a cabeça apoiada na mão contra uma parede pintada de azul e turquesa. Foto: Tetembua Dandara
Foto: Tetembua Dandara
Tetembua Dandara (SP)

Estreia: 2022

A obra atravessa diferentes gerações da família da artista Tetembua Dandara. Ativada pelo encontro da performer e sua avó, Dirce Poli, com intervenções de sua mãe, Neuza Poli, e de sua irmã, Mafoane Odara. A instalação convida o público a adentrar um espaço que remete a uma sala de vó, a um quintal ou mesmo a uma festa dos anos 1990. Ali, narrativas são reconstruídas pelas vozes, sabores e olhares dos presentes, que podem transitar pelo espaço e pelas histórias por quanto tempo desejarem. O trabalho teve como ponto de partida o livro fotográfico homônimo idealizado pela performer, que traz espaços em branco (e preto), estabelecendo um diálogo de imagens e poucas palavras.

O teatro e a democracia brasileira

Três idosos negros estão sentados e em pé em um local pouco iluminado. Uma pessoa segura uma câmera, outra está sentada de braços cruzados e uma terceira sorri. Uma pequena mesa com um jarro de vidro e uma garrafa está no centro. no canto direito da foto é possível ver uma quarta pessoa de costas, desfocada, que parece ter características semelhantes e estar olhando para os outros três. A logo do projeto O teatro e a democracia brasileira aparece acima à esquerda. Foto: Noelia Nájera
Foto: Noelia Nájera
O Bonde (SP)

Estreia: 2024

Quatro irmãos idosos que sofreram um despejo quando crianças recebem a restituição do terreno após quase 60 anos e se encontram para decidir o que fazer. O tempo se embaralha em um jogo de cortinas e um mosaico de histórias reais e ficcionais é costurado no quintal da antiga casa acompanhado de um bom café e de um velho samba. Em cena, uma banda de quatro músicos, cada qual com mais de sessenta anos, em um jogo friccional com as narrativas dos atores/atriz d`O Bonde. Um espetáculo que descortina a realidade do passado olhando para o presente.

O teatro e a democracia brasileira

Foto: Jonatas Marques
Cia. Estável de Teatro (SP)

Estreia: 2008

O espetáculo apresenta um cruzamento de situações sobre trabalho, moradia e consumo, costurado pela fábula de um homem animalizado e explorado em seus esforços por sobrevivência, como metáfora das impossibilidades, ilusões e contradições estampadas em nosso cotidiano. A obra materializa com fragmentos de poesia áspera a velha exploração do homem pelo homem. A obra épica conjuga a narrativa fabular com recortes de cenas, muitas vezes independentes, com tênue ligação temática e que, na somatória, despejam sobre nossas cabeças uma contumaz análise do capitalismo. É, entre outras, a fábula de um homem que puxa seu patrão acomodado sobre uma carroça. O “jovem trabalhador” (nome do personagem).

O teatro e a democracia brasileira

Uma mulher está de costas para a câmera, envolta em uma bandeira brasileira. Ela está de frente para uma parede texturizada com persianas de madeira fechadas, em um espaço com tinta descascada e tijolos aparentes e ásperos. No canto superior esquerdo da imagem está a logo do projeto O teatro e a democracia brasileira. Foto: Adriana Marchiori
Foto: Adriana Marchiori
Complô Cunhã (RS)

Estreia: 2019

Um espetáculo sobre nós, dirigido a nós, os brasileiros que não se consideram índios. Entrelaçando narrativas vivenciadas em terras indígenas Kanhgág e Mbyá Guarani, notícias jornalísticas, dados históricos, palavras de pensadores indígenas contemporâneos, além de memórias sobre sua origem indígena, Ana Luiza da Silva apresenta um olhar crítico sobre esse Brasil parido à força, inventado a partir das dores de mulheres pegas no laço. Um espetáculo sobre um país que “vai pra frente”…

O teatro e a democracia brasileira

Representação artística de um bebê deitado de costas, estendendo os braços em direção a um tamborete.. O fundo apresenta formas abstratas em tons quentes, criando uma atmosfera texturizada e onírica. No canto inferior direito, sobreposta à imagem, está a logo do projeto "O teatro e a democracia brasileira". Arte: Manu Militão
Arte: Manu Militão
Cristiane Sobral (DF)

Estreia: 1998

O espetáculo é um monólogo musical que discute a temática da “diferença” num país multicultural. É a estória de um bebê negro encontrado por uma enfermeira japonesa numa lata de lixo, na periferia da Grande São Paulo. A partir daí, vários personagens buscam soluções diante do conflito gerado pelas diferenças. O texto é pontuado por músicas executadas pelo grupo de percussão Asé-Dudú.

O teatro e a democracia brasileira

Um homem negro com barba segura uma lanterna, iluminando seu rosto e parte superior do corpo na escuridão. Ele está vestindo uma camisa de cor clara com pequenos rasgos, e aponta para a distância com a outra mão. Foto: Rodrigo Sambaqui
Foto: Rodrigo Sambaqui
Inclassificáveis (SC)

Estreia: 2014

Um homem preso há 50 anos. Manuel. Operário. Poderia ser Manoel Fiel Filho, militante de base do PCB morto pela ditadura brasileira. Ou outro Manuel, chileno, personagem ficcional da canção de Victor Jara, Te recuerdo Amanda, sobre o amor de Amanda e Manuel. O preso registra os dias e tenta se lembrar do que passou. É atravessado por suas memórias, nossa história desconhecida. Uma voz que busca ser ouvida e repercute nas ruas ainda hoje.

O teatro e a democracia brasileira

Três mulheres com roupas coloridas se inclinam com seus corpos sobre cadeiras. A cena externa na grama seca e algumas plantas é emoldurada por ruínas. Foto: Pedro Isaías Lucas
Foto: Pedro Isaías Lucas
Tribo de Atuadores Oi Nóis Aqui Traveiz (RS)

Estreia: 2011

Viúvas: Performance sobre a ausência é uma peça em defesa da memória dos mortos desaparecidos na América Latina durante o período ditatorial.  No espetáculo, uma anciã, símbolo da memória e resistência, não desiste de reivindicar o conhecimento do destino de seus mortos: pai, marido e filhos estão desaparecidos. Sozinha com os netos, ela se contrapõe à atitude de outras mulheres, que se adequaram à situação com a qual ela não pode se conformar.

O teatro e a democracia brasileira

Um homem de camisa bege gesticula expressivamente no palco, com duas mulheres de pé ao fundo, sob iluminação fraca. Foto: Renato Mangolin
Foto: Renato Mangolin
Filipe Codeço e Vinicius Arneiro (RJ)

Estreia: 2024

Uma mãe prepara a festa de aniversário para seu filho, um taxista surdo que cresceu rodeado de ouvintes. O encontro, que reúne um pequeno grupo de amigos do rapaz, revela os afetos, mas também os dilemas e a diferença cultural entre eles. Além disso, convida-nos a perceber como lidamos com a distância entre aquilo que se sente e a tentativa de dizê-lo.

O teatro e a democracia brasileira

Um homem sem camisa com músculos tonificados está em pé sob iluminação quente e suave em tronco. Ele se encontra de costas, com uma mão tocando a testa. A cena é pouco iluminada, contra um fundo escuro. Foto: Guto Muniz
Foto: Guto Muniz
Mauricio Lima (RJ)

Estreia: 2023

ARQUEOLOGIAS DO FUTURO é uma performance-depoimento a partir de memórias – vividas e inventadas – da vida do performer Mauricio Lima no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, acompanhado de mais 30 vozes, se perguntando: o que o corpo fala? Quais corpos são vistos e ouvidos? Quem tem direito de narrar suas próprias histórias? Uma navalha, o Menino Amarelinho, as rotas de fuga, o Homem-bola e o corpo-museu são os “artefatos” recolhidos nessa arqueologia, formando um mosaico imagético-sonoro, político-poético, sampleando ficção e documento, apontando as potências de vida e o futuro, não o que há de vir, mas o que já é, de corpos vivos e em movimento.

Ou para conhecer todo o nosso acervo.

Espetáculo em circulação

Foto: Guto Muniz
Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona (SP)

Estreia: 2025

Escrita em 1947 por Nelson Rodrigues, Senhora dos Afogados é uma tragédia dionisíaca que expõe o inconsciente familiar à beira do colapso. Na casa impregnada de sal e luto à beira-mar — onde o oceano ecoa a psique dilacerada —, o juiz Misael (Marcelo Drummond) é assombrado por segredos inconfessáveis. Ao seu redor, giram Moema (Lara Tremouroux), filha intuitiva e intensa, e Eduarda (Leona Cavalli), esposa central em uma teia de silêncios, poder e ressentimentos. Paixões incestuosas, mortes e delírios se misturam em clima fantasmagórico, reforçado por coro de “putas do cais”, trilha original e ambientações sensoriais.

Espetáculo em circulação

Foto: Guto Muniz
Teatro da Vertigem (SP)

Estreia: 2023

Em uma arena que evoca rodeios e o centro de um sítio, personagens clássicos do imaginário nacional (Emília, Narizinho, Pedrinho, Tia Nastácia, Dona Benta, Visconde de Sabugosa e Marquês de Rabicó), inspirados em Monteiro Lobato, confrontam-se à mesa de jantar ou domando touros bravos. A montagem critica o universo rural e a influência do agronegócio na sociedade brasileira. Articula episódios políticos recentes, imaginário rural e herança cultural, com o rodeio como metáfora de um Brasil que atualiza estruturas históricas de exploração. A imersão em espaços não convencionais reafirma a linguagem cênica do grupo.

Espetáculo em circulação

Uma artista em um vestido vermelho largo e dramático está elevada no palco, iluminada por uma luz vermelha, com seis figuras em silhueta abaixo em um piso xadrez.
Foto: Guto Muniz
Las Choronas Companheiras Teatrais (MG)

Estreia: 2025

Las Choronas é um espetáculo crítico e provocador, entre o teatro do absurdo e o surrealismo, que aborda amor, identidade, abandono, marginalidade e crítica política. Dirigido e escrito por Byron O’Neill, foi construído de modo colaborativo a partir de improvisações, partituras gestuais, fragmentos poéticos e referências como David Lynch e Samuel Beckett. Em cena, elenco e bonecos se manipulam num jogo visual que tensiona humano/objeto, som/gesto, ouvir/ver. A Libras é integrada como matéria coreográfica e poética, ampliando a experiência sensorial e acessível.

O teatro e a democracia brasileira

Uma pessoa usando um gorro preto se segura em uma grade de metal que, na verdade, é um compartimento inferior de uma cadeira estudantil, destinado à colocação de materiais escolares. Uma iluminação dramática projeta sombras em seu rosto. Ela está olhando através das grades, com a boca aberta e com uma fisionomia expressiva e enérgica.
Foto: Almir Bindilatti
Grupo de Teatro do Liceu de Artes Ofícios da Bahia (BA)

Estreia: 1996

Cuida Bem de Mim conta a história de uma escola pública que enfrenta as manifestações da violência expressas no conflito de dois grupos, que transformam a sala de aula em verdadeira batalha campal. Ao lado disso, ocorre uma história de amor entre dois adolescentes líderes de grupos rivais que, por um golpe de destino, se veem confrontados em suas escolhas de vida, desejos e significados afetivos e sociais. O romance acontece em um momento crítico, quando a atmosfera da violência contamina todo o ambiente, o que os obriga a refletirem sobre o papel da educação na vida de cada um.

Espetáculo em circulação

Foto: Guto Muniz
Quatroloscinco - Teatro do Comum (MG)

Estreia: 2025

Décimo espetáculo do grupo mineiro Quatroloscinco, Velocidade, convida o espectador a repensar a relação com o tempo na vida contemporânea. A peça se estrutura como capítulos de um livro. Dramaturgia e encenação constroem uma peça-livro-sonho que afirma o teatro como uma máquina de desacelerar o tempo. Situações diversas e sobrepostas abordam a percepção humana do tempo a partir de relações familiares e de trabalho, rotina de vida, memórias de infância, sonhos recuperados e a incerteza do futuro.

O teatro e a democracia brasileira

Associação Cultural Joana Gajuru (AL)

Estreia: 1997

Primeiro espetáculo de palco do grupo Joana Gajuru, A Farinhada narra a história de Pedro Bom e Rosa Maria, que junto com os trabalhadores de uma casa de farinha do interior alagoano, sofrem a opressão e perseguição do patrão. Ficou no repertório do grupo Joana Gajuru até 2006. Nesse período, ganhou cerca de 30 prêmios, mais de 50 indicações, percorreu mais de 30 cidades do País e foi vista por mais de 100 mil pessoas.

O teatro e a democracia brasileira

Uma mulher em uma sala escura segura uma tigela e um tambor, usando roupas pretas e miçangas. Atrás dela, há pessoas assistindo. O texto no canto superior esquerdo diz: O Teatro e a Democracia Brasileira Parte Um.
Foto: Guto Muniz
Diego Araúja (BA)

Estreia: 2018

Quaseilhas (1º crioullage), fundamenta-se através de performances, visualidades e sonoridades dentro dos vazios da memória afrodiaspórica das Araújas, família materna do autor Diego Araúja; descendentes de negras e negros da etnia yorùbá ijesa, da cidade nigeriana de Iléṣà. Usando da literatura oral yorubana, Araúja compõe um oríkì para a sua família e a comunidade de Alagados de Itapagipe. Exercita, através dessa performance oral, a substituição do esquecimento pela invenção. O artista compõe o oríkì totalmente na língua yorùbá. O idioma foi a língua base de um falar crioulo, doméstico – hoje extinto –, de sua família materna. Dentro do núcleo familiar, era chamado de “trocar língua”.

O teatro e a democracia brasileira

Foto: Rennan Peixe
Teatro de Fronteira (BA)

Estreia: 2020

“Luzir é Negro” é um espetáculo autobiográfico do ator e cantor Marconi Bispo, dirigido por Rodrigo Dourado e produzido pelo Teatro de Fronteira. A peça investiga o racismo através das memórias de um homem negro, gay, candomblecista e periférico, entrelaçando sua trajetória pessoal, teatral e espiritual com textos teatrais e debates sobre questões raciais contemporâneas. A dramaturgia transita entre passado e presente, público e privado, ficção e realidade, explorando a encruzilhada entre luz e escuridão.

O teatro e a democracia brasileira

Foto: Marina Borck
ERRO Grupo (SC)

Estreia: 2007

Enfim um Líder é a obra mais ambiciosa do ERRO Grupo, um acontecimento imersivo que ultrapassa o teatro tradicional. Durante 3 dias consecutivos (42 horas), cidadãos participam de uma recepção ao Líder, das 6h às 20h, culminando com sua chegada no terceiro dia. O projeto transforma centros urbanos em espaço de experiência coletiva, ocupando e se diluindo simultaneamente no cotidiano. Representa a continuação da pesquisa do grupo sobre intervenção urbana desde 2001, funcionando como um acontecimento histórico, político e social que desafia todos os envolvidos.

O teatro e a democracia brasileira

Foto: Marina de Almeida Prado
Coletivo Estopô Balaio (SP)

Estreia: 2014

Espetáculo itinerante criado pelo Coletivo Estopô Balaio que conduz o público em jornada teatral pela Linha 12-Safira da CPTM, de São Paulo. O percurso inicia na Estação do Brás e segue até o Jardim Romano, na zona leste, onde intervenções artísticas — dança, rap, performances e instalações multimídia — se entrelaçam com as memórias dos moradores sobre a enchente de 2009. Terceira parte da “Trilogia das Águas”, o trabalho resgata histórias de migrantes nordestinos e pratica o “contrateatro”, uma abordagem anticolonial que transforma o deslocamento físico em construção de memória coletiva.
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