Espetáculo de Teatro
Zona de Sacrifício
Com: Carolina Correa
Direção: Lara Duarte
Realização: Carolina Correa
Com direção e dramaturgia de Lara Duarte, Zona de Sacrifício é uma investigação cênica sobre as consequências da mineração e suas relações com a vida das populações que habitam regiões de exploração mineral. A criação parte de uma questão provocadora: “E se a mineração fosse um deus?”. A partir dessa imagem, o espetáculo se desenvolve em três movimentos. No primeiro, a mineração é apresentada como uma divindade que exige sacrifícios, em uma construção cênica de caráter grotesco e surrealista. No segundo, a obra se apropria da linguagem publicitária e dos discursos corporativos das mineradoras, expondo contradições entre as promessas de progresso, sustentabilidade e desenvolvimento e a realidade dos territórios impactados. No terceiro movimento, imagens e depoimentos de moradores de comunidades do interior de Minas Gerais aproximam o público das experiências de quem convive diretamente com os efeitos da atividade mineral.
A pesquisa que dá origem ao trabalho está vinculada à experiência de Carolina Correa em Nova Lima, município profundamente relacionado à atividade mineradora. A convivência com os sinais de alerta das barragens, as visitas a comunidades atingidas e a escuta de moradores contribuíram para a construção de uma obra que não trata a mineração como um tema distante, mas como uma realidade que atravessa o cotidiano, a segurança e as condições de vida de milhares de pessoas.
A apresentação acontece em um momento em que o debate sobre mineração, segurança de barragens e transição energética permanece no centro das discussões públicas. A demanda global por minerais considerados estratégicos, como lítio e outros insumos utilizados em novas tecnologias, amplia a pressão sobre territórios e recursos naturais. Ao mesmo tempo, os efeitos de desastres como os de Mariana e Brumadinho continuam exigindo atenção, responsabilização e acompanhamento das comunidades atingidas. Dados divulgados pela Agência Nacional de Mineração em março de 2026 indicam que o Brasil encerrou 2025 com 90 barragens de mineração classificadas em situação de alerta ou emergência.
Na mesma ocasião, o público poderá conhecer trabalhos do artista visual nova-limense Lúcio Vermelho, que ocupa o espaço com sua produção artística. Nascido no bairro operário do Retiro, Vermelho é professor de arte, artista plástico, marceneiro e sambista, e desenvolve pesquisa que passa pelo desenho e pela escultura em madeira. Na série Trabalhadores, investiga os rastros e vestígios daqueles que construíram, com seus corpos e suas vidas, a cidade visível e a invisível. Com esculturas em madeira, carvão, pedra, ferro e técnicas mistas, constrói uma arqueologia visual do trabalho e da formação de Nova Lima.
Serviço
C.A.S.A. – CENTRO DE ARTE SUSPENSA E ARMATRUX
Endereço: Rua Himalaia, 69 – Vale do Sol – Nova Lima (MG)
Datas e horários: 13 de novembro de 2026 (sexta-feira), às 20h – Informações sobre acessibilidade não fornecidas
Tipo de espetáculo: gratuito com ingresso
Informações sobre compra ou retirada de ingressos: Retirada pelo Sympla.
Duração: 55 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Ficha técnica e artística
Idealização e performance: Carolina Correa
Direção e dramaturgia: Lara Duarte
Dramaturgismo: Carolina Correa e João Borges
Direção de Vídeos e Fotografia: João Borges
Direção de Arte: Victor Paula
Preparação Corporal: Thembi Rosa
Cenografia: Alexandre Brasil
Trilha Sonora Original: O Grivo e Marcos Frederico
Figurino: Victor Paula e Graça Correa
Luz: Flávia Mafra
Identidade Visual: Gabriela Abdalla
Consultoria Técnica: Daniela Campolina
Responsável pelas informações aqui apresentadas: Carolina Correa
Contato: carolinarcorrea@gmail.com