Espetáculo de dança-teatro
Sem corpo não há aqui
Com: Giselda Fernandes e Joana Lerner
Direção: Isabel Cavalcanti
Realização: Sesc Rio e Os Dois Produções Artísticas
O movimento e a fala caminham juntos no espetáculo de dança-teatro Sem corpo não há aqui. Foi durante o processo de ensaios que a dramaturga e diretora Isabel Cavalcanti desenvolveu os textos que acompanham e se misturam aos gestos da bailarina Giselda Fernandes e da atriz Joana Lerner, madrasta e enteada na vida real, que perderam, há dois anos, o marido e pai, o artista plástico Hilton Berredo. O projeto foi contemplado pelo Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar 2025/2026.
Misturando realidade e ficção, e fugindo da narrativa linear, o espetáculo investiga a vulnerabilidade como condição da existência: acontecimentos aparentemente insignificantes revelam dimensões inesperadas da experiência humana. Com humor e densidade, as intérpretes atravessam memórias, ausências e deslocamentos, numa reflexão sobre perda, convivência e transformação.
Dramaturga e diretora da montagem, Isabel Cavalcanti lembra que foi um grande desafio dirigir uma bailarina e uma atriz, que são madrasta e enteada na vida real e que estão vivendo o luto. "Como realidade e ficção se misturavam o tempo todo nesse processo, precisei criar um espaço em que elas se sentissem seguras para expor as dores, alegrias, memórias, os conflitos, encontros e desencontros existentes entre elas e, simultaneamente, transformar isso tudo em ficção, em dança-teatro".
A trilha sonora original e o desenho de som são assinados por Isadora Medella. Os figurinos criados por Marieta Spada vão se modificando em cena. O vestido usado por Joana Lerner é criação de Marcelo De Gang, usado originalmente no solo "Dagmar e seu espelho", de Giselda Fernandes. O cenário de Aurora dos Campos traz objetos ligados à dança e ao corpo, que vão se encontrando durante a narrativa, formando uma escultura de memórias.