Revisitando uma de suas montagens mais longevas, o Grupo TAPA traz ao Rio, no Teatro Poeira, a peça Credores, de August Strindberg (1849-1912), com direção de Eduardo Tolentino de Araujo. A montagem, no repertório do grupo há mais de 10 anos, chega ao Rio pela primeira vez, no ano em que o TAPA comemora 46 anos de existência e 40 sediado em São Paulo.
Escrita em 1887, a peça dialoga com os dias de hoje. Através de um acerto de contas entre um triângulo amoroso, vêm à tona temas como a “guerra dos sexos”, a complexidade das relações conjugais, a manipulação e o poder masculino.
“Essa é uma peça que se aprofunda nos dilemas entre os personagens, que expõem seus conflitos, questão longe de se resolver nos tempos contemporâneos. Escrita em 1887, o texto projeta uma DR que atravessa dois séculos e, como diz a canção popular, ‘ainda somos os mesmos como nossos pais'”, reflete o diretor, Eduardo Tolentino de Araujo.
A peça resgata a discussão sobre a guerra dos sexos e a manipulação e poder masculinos numa dramaturgia concentrada, com um olhar cirúrgico sobre essas relações. Apesar de escrita no final do século XIX, a história dialoga bem com o mundo atual, característica que comprova o lado visionário do dramaturgo sueco, um dos nomes mais recorrentes no repertório do Grupo TAPA, que já encenou, do mesmo autor, as peças “Camaradagem”, “Senhorita Julia”, “Brincando com Fogo” e “A Mais Forte”.
A peça gira em torno de um triângulo amoroso e psicológico entre Adolfo, sua esposa Tekla e Gustavo, o primeiro marido de Tekla, que retorna buscando vingança. Passando-se por amigo, Gustavo sonda Adolfo sobre o casamento com Tekla e o passado desconhecido da esposa. Pouco a pouco vai manipulando Adolfo contra Tekla, e propõe um plano para que ele conheça de verdade a mulher com quem se casou. Fragilizado e doente, Adolfo morde a isca e aceita o tal plano, mas os acontecimentos saem do controle levando a um trágico desfecho.