Trilhas da Cena

Um pássaro não é uma pedra

Concepção e atuação: Lucas Oradovschi (RJ)

Direção: Adriana Schneider, Cátia Costa e Mar Mordente

Produção: U Plus Cultural | Daniel Uryon

Duração: 65 minutos

Estreia: 2024

Página atualizada em 09/06/2026

Foto: Sofia Paciullo

O espetáculo

Um pássaro não é uma pedra é um espetáculo-solo que conta histórias vividas no Teatro de Pedra e no Teatro da Liberdade, experiências de teatro comunitário e resistência cultural no campo de refugiados de Jenin, na Palestina. A peça é narrada pela perspectiva de uma pedra, um pedaço de escombro de um teatro destruído. Qual o sentido de fazer teatro em tempos de guerra? Uma investigação cênica que, ao abordar a guerra colonial de Israel na Palestina, traz questões sensíveis ao Brasil contemporâneo.

 

A direção é coletiva, assinada por Adriana Schneider Alcure, Mar Mordente e Cátia Costa; com atuação de Lucas Oradovschi – acessando suas ancestralidades para tratar questões urgentes. A escolha por modos coletivos de criação, e por uma dramaturgia que entrecruza o documental e o poético, revelam o cuidado em conjugar diferentes perspectivas e evitar a unilateralidade no tratamento de temas complexos. A criação se deu a partir do uso de técnicas de teatro de máscaras, palhaçaria, teatro físico, performance e dança, resultando em uma linguagem singular e arrebatadora.

Nova temporada

Julho de 2026 | Rio de Janeiro, RJ

SERVIÇO:

Temporada: de 7 a 29 de julho de 2026 | terças e quartas, às 20h

Local: Teatro Poeira

Endereço: Rua São João Batista, 104 – Botafogo – Rio de Janeiro, RJ

Classificação indicativa: 16 anos

Duração: 65 minutos

Ingressos:

R$ 80,00 – Inteira

R$ 40,00 – Meia-entrada

Clique aqui para comprar seu ingresso antecipadamente.

 

Horário da bilheteria:

Terça a sábado, das 15h às 20h

Domingo, das 15h às 19h

Rua São João Batista, 104 – Botafogo

Telefone: (21) 2537-8053

Para que a nossa peça siga circulando e encontrando novas pessoas, lançamos nossa campanha de financiamento coletivo. 
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Chave-pix: umpassaroteatro@gmail.com

A história

Durante a primeira Intifada, nos anos 80, duas mulheres, duas mães, a judia israelense Arna Mer e a árabe palestina Samira Zubeidi – criaram o Teatro de Pedra, nome em homenagem às pedras atiradas pelas crianças palestinas contra os tanques. Diante do colapso do sistema de educação, organizaram uma rede de mães que atendeu a milhares de crianças em situação de guerra. Unidas em um gesto de solidariedade que rompe com a espiral de ódio e cria pontes, revelam as frestas e alianças possíveis em meio a guerra. Premiado internacionalmente, o Teatro de Pedra seria destruído anos depois pelo exército israelense.

 

Durante a segunda Intifada, nos anos 2000, Juliano e Zakaria, filhos de Arna e Samira, fundam, em memória às suas falecidas mães, o Teatro da Liberdade. Juliano, filho de mãe judia israelense e pai árabe palestino foi ator, diretor de teatro e ativista político. Encarnando em seu próprio corpo o conflito e a cisão, é um dos personagens que conduz nossa história. O Teatro da Liberdade segue de pé em Jenin, articulando milhares de artistas e ativistas ao redor do mundo e foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz de 2024.

 

Foto: Sofia Paciullo

O contexto

O mundo hoje acompanha o horror da guerra transmitido em tempo real. Imagens de violência inundam diariamente as redes. Em toda a parte se levantam demonstrações de indignação e protestos; assim como manifestações de apoio à Israel. A atual conjuntura e seus processos de polarização absorvem a questão de maneira redutora e estigmatizante. Cresce a islamofobia, o antissemitismo e o discurso de ódio.

 

Meses antes do 7 de outubro de 2023 inaugurar a nova fase dessa guerra tão antiga, artistas de ascendências judaica, árabe e afro-brasileira se reuniram no Rio de Janeiro para olhar para a violência da ocupação colonial-militar israelense nos territórios palestinos e refletir sobre as nossas próprias violências coloniais, brasileiras. Embora num primeiro olhar sejam realidades totalmente distantes, há assuntos sensíveis comuns: o crescimento da intolerância e do extremismo religioso, os processos de (para)militarização de territórios, a violência seletiva a que vive submetida parte da população, a divisão étnico-racial dos espaços sociais – são alguns exemplos.

 

Entendemos que o microcosmos do Teatro da Liberdade, do Teatro de Pedra e suas histórias têm a capacidade de levar nosso olhar a reconsiderar a própria realidade brasileira, sobretudo quanto à dívida histórica ao reconhecimento das identidades e territórios das populações e grupos sociais marginalizados. E, assim, ampliar olhares para as nossas violências coloniais – históricas e atuais, provocando reflexões sobre alteridade e apontando para a criação de futuros.

 

Acreditamos na força do teatro para tecer conversas, mover sensações e opiniões estanques. Diante das condições mais duras e precárias impostas pela realidade da guerra, o teatro pode propor o exercício de ir em direção ao outro e olhar a mesma questão por prismas diversos. Assim, mesmo nos tempos mais sombrios, o teatro se faz necessário. Queremos seguir contando essas histórias, expandindo conversas com públicos diversos e, com sensibilidade às ancestralidades, sustentar os paradoxos e o espaço para dissensos.

Foto: Renata Prado

Teaser

Equipe

Concepção e atuação:
Lucas Oradovschi

Direção:
Adriana Schneider, Cátia Costa e Mar Mordente

Dramaturgia:
Adriana Schneider, Cátia Costa, Daniel Bueno, Lucas Oradovschi e Mar Mordente

Texto:
Daniel Bueno e Lucas Oradovschi
Direção Musical:
Azullllllll

 

Cenografia: Camila Moussallem e Murilo Barbieri
Iluminação: Nina Balbi
Figurino: Mel Akerman
Costureira: Regina Fonseca
Designer Gráfico: Lucas dos Santos Silva
Fotografia: Íra Barillo
Filmagem: João Faissal e Roberta Medina
Edição de Vídeo: Gustavo Guimarães
Produção: U Plus Cultural | Daniel Uryon
Assistente de Produção: Amanda Marjan

 

Foto deste campo: Renata Prado

sobre Lucas Oradovschi (concepção e atuação)

Lucas Oradovschi é artista da cena, graduado em Artes Cênicas na UNIRIO e Mestre em Artes da Cena pela UFRJ. Há vinte anos desenvolve pesquisa sobre práticas coletivas junto a grupos e coletivos de teatro na cidade do Rio de Janeiro (Teatro de Operações, Bonobando e Cia dos Bondrés). Através dessas experiências investiga as relações entre arte e política, tendo como principais temas: máscara, teatro físico, performance e cidade.

 

Como diretor, integrou os espetáculos Bonobando na Dicró (2014) e Cidade Correria (2015). Atuou em dezenas de espetáculos como O Balcão (2022), direção Renato Carrera; Cão Gelado (2022), Gunnar Borges; Rosa e a Semente (2018), Isaac Bernat; Instantâneos (2012), Fabianna Mello e Souza; Deus é Química (2009), Hamilton Vaz Pereira, e em diversos produtos audiovisuais como Adorável Psicose (Multishow) e Capoeiras (Disney+). Suas atuações mais recentes incluem a telenovela Vai na Fé (Globo) e a série Tremembé (Prime Video), interpretando o personagem Alexandre Nardoni.

 

@lucasoradovschi

sobre as diretoras

Cátia Costa

Artista-pesquisadora-macumbeira com 37 anos de carreira ininterrupta na cidade do Rio de Janeiro, firma seu ponto como atriz, performer, diretora teatral, preparadora corporal e de elencos, diretora de movimento, curadora e parecerista.

 

Graduada em Licenciatura em Artes Cênicas pela UNIRIO desde 2010. Desenvolve pesquisa de experimentação cênica e performativa, acerca das relações diaspóricas corporais das danças afropindorâmicas no Brasil, entrecruzadas com o estudo do Butoh japonês (Afro Butoh). Encruzilhadas metodológicas ancestrais para o pensamento do corpo negro e da cena contemporânea. Mestre em Artes da Cena na linha de Experimentações Artísticas pela Escola de Comunicação – Direção Teatral – PPGAC/UFRJ, com a pesquisa intitulada, Teatro-Ancestral: Encruzas entre vida, arte e espiritualidade (2024), sob a orientação da Prof. Doutora Adriana Schneider Alcure.

 

Atualmente compõe o quadro de professores da Escola Preta de Arte (EPA) na disciplina Teatro-ancestral, cujas aulas se realizarão de março a maio de 2026, no Terreiro Contemporâneo, sob a organização da Confraria do Impossível e FUNARTE (Ações continuadas).

 

@catia_costa50
catiaunirio@yahoo.com.br

Mar Mordente

Mar Mordente (elu/delu) dedica-se à criação poética nas tramas entre performance, teatro, práticas somáticas e pedagogias radicais. Desenvolve Sísmicos Sonhares, investigação sobre o sonhar como campo cosmopolítico de criação.

 

Seus trabalhos circulam em contextos artísticos e redes transdisciplinares de pesquisa no Brasil e no exterior. Entre 2010-15 integrou o coletivo Teatro de Operações (RJ), participou da direção artística da residência do grupo Bonobando (RJ, 2014–15), além de coordenar o projeto de arte-educação Pedagogias Periféricas no Complexo da Penha. Foi bolsista do programa de artes AMEXCID (MX, 2015-20), estudando ritualidades de reparação junto a coletivos feministas indígenas. Em 2023, participou da The Artists Residency (Tel Aviv), desenvolvendo trabalho sobre processos de luto junto a movimentos anti-apartheid. Em 2024, co-dirigiu Um Pássaro Não é uma Pedra (RJ), indicado ao Prêmio Shell de direção. Integrou, nos últimos anos, projetos do coletivo de ecologia política, arte e educação Gestos Rumo a Futuros Decoloniais (GTDF).

 

@mar_mordente

Adriana Schneider

Atriz, diretora e pesquisadora de teatro. Professora Titular do Curso de Direção Teatral e do Programa de Pós-Graduação em Artes da Cena, ECO/UFRJ. Membro da Akademie der Künste der Welt, de Colônia, na Alemanha, entre 2020 e 2025. Realizou pesquisa de Pós-Doutorado na Universität Bonn (bolsa Capes/Fundação Humboldt, 2018-2019). Doutora em Ciências Humanas (Antropologia Cultural) pelo PPGSA/UFRJ (2007), com estágio doutoral na FU-Berlin (bolsa DAAD/CNPq). Mestre em Teatro pelo PPGAC/UNIRIO (2001). Bolsista de Produtividade em Pesquisa – PQ / CNPq, desde 2025.

 

Dentre os espetáculos que dirigiu ou co-dirigiu destacam-se com o Grupo Pedras: O muro (2003) e O reino do mar sem fim (2010). Com o Coletivo Bonobando: Cidade Correria (2015), Jongo Mamulengo (2016), Monumoments (2017) e as performances para o projeto sobre Hubert Fichte (Rio de Janeiro, Salvador e Berlim, 2017-2019). Com o Teatro de Anônimo: Inaptos a que se destinam (2011) e Nós de pano: ensaios de desmemória, de Shirley Britto (2023). Fez a curadoria do projeto Karneval: Spiritualität, Ökonomie und Politik (2023), comissionado pela Akademie der Künste der Welt, de Colônia, na Alemanha. Integrante do Cordão do Boitatá e da Muda Outras Economias.

 

CV LATTES: https://lattes.cnpq.br/9776980598490379

@asadriana13

Juliano Mer-Khamis

Arna’s Children, documentário realizado por Juliano Mer-Khamis

Adam Shartz para a Revista Piauí, em janeiro de 2014

Teatro da Liberdade (The Freedom Theatre)

The Freedom Theatre | Website

Vídeo do Mustafa Sheta, gestor do The Freedom Theatre, saudando a peça Um pássaro não é uma pedra.

Entrevistas e conversas

Playlist

2 Vídeos

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