AGROPEÇA
Texto: Marcelino Freire
Concepção e direção geral: Antonio Araújo
Realização:
Teatro da Vertigem (SP)
Estreia: 2023
Página atualizada em 10/04/2026
Sinopse
A montagem reafirma a trajetória do Teatro da Vertigem na investigação do Brasil por meio de experiências cênicas imersivas e ocupações de espaços não convencionais. O espaço se transforma em uma arena que evoca rodeios e disputas políticas, simbólicas e sociais, com a imersão como eixo central.
O espetáculo lança um olhar crítico sobre o universo rural e a influência do agronegócio na sociedade brasileira, usando o rodeio como linguagem cênica. Convoca personagens clássicos do imaginário nacional como Emília, Narizinho, Pedrinho, Tia Nastácia, Dona Benta, Visconde de Sabugosa e Marquês de Rabicó, em releitura provocadora inspirada em Monteiro Lobato.
Dividida em três blocos narrados por diferentes personagens, a dramaturgia articula política recente, imaginário rural e herança cultural. O rodeio, pesquisado no processo criativo, surge como metáfora de um Brasil que atualiza estruturas históricas de exploração.
Prêmios e indicações
Prêmio Shell de Teatro (34ª edição – 2024)
- Vencedor: Melhor Direção (Antonio Araújo e Eliana Monteiro)
- Vencedor: Melhor Cenário (Eliana Monteiro e William Zarella Junior)
- Indicações: Melhor Atriz (Tenca Silva) e Melhor Ator (Vinicius Meloni)
Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) – 2023
- Indicações: Melhor Atriz (Tenca Silva) e Melhor Ator (Vinicius Meloni)
Equipe
Texto: Marcelino Freire
Concepção e Direção Geral: Antonio Araújo
Co-direção: Eliana Monteiro
Coordenação Técnica e Desenho de Luz: Guilherme Bonfanti
Performers: Andreas Mendes, James Turpin, Mawusi Tulani, Paulo Arcuri, Tenca Silva, Lola Fanucchi, Victor Salomão e Vinicius Meloni
Artistas Colaboradores: Nicolas Gonzalez (1ª e 2ª fase), Lee Taylor (1ª fase), Lucienne Guedes e André D’Lucca (2º fase)
Dramaturgismo: Bruna Menezes
Assistente de Dramaturgismo: João Crepschi
Conceito do Espaço: Antonio Araújo
Cenografia: Eliana Monteiro e William Zarella Junior
Sound Designer Associados: Randal Juliano, Guilherme Ramos e Kleber Marques
Figurino: Awa Guimarães
Visagismo: Tiça Camargo
Direção Musical e Trilha Original: Dan Maia
Direção vocal: Lucia Gayotto
Videografismo: Vic von Poser
Preparação corporal: Castilho e Ricardo Januário
Preparação Corporal (1ª fase): Fabrício Licursi
Direção de movimento: Castilho
Assistente de Direção e Direção de Palco: Gabriel Jenó
Assistentes de Iluminação e Programação: Francisco Turbiani
Músicos: Dan Maia e Ricardo Saldaña
Operação de luz: Felipe Bonfante
Operador de Áudio: Fernando Sampaio
Operadoras de Projeção: Gabriel Theodoro
Operadores de Câmera: André Voulgaris
Operadores de Canhão Seguidor: Igor Beltrão e Giovanni Matarazzo
Montagem de Luz: Felipe Bonfante, Igor Beltrão, Raphael Mota, Danilo Punk, Jhones Pereira, Tarsis Braga (Cabelo) e Lucas da Silva
Contrarregras: Ayra Flores, Flávio Rodrigues e João Portela
Cenotécnico: Zé Valdir Albuquerque
Montagem, Pintura e Tratamento de Cenografia: Elástica SP Cenografia
Costureiras: Francisca Rodrigues e Cleonice Barros Correa
Aulas de Laço: Gui Sampaio
Crânios de Boi: Vinicius Fragata
Tradutor Yorubá: Mariana de Òsùmàrè
Estagiária de Direção: Julie Douet Zingano
Fotos: Lígia Jardim
Documentarista: Padu Palmerio
Designer Gráfico: Guilherme Luigi
Assessoria de Imprensa: Canal Aberto
Estagiário de Produção: Bento Carolina
Produção: Corpo Rastreado – Leo Devitto e Gabi Gonçalves
O que mais ler, ver e ouvir sobre a Agropeça
Entrevista com Antônio Araújo (Diretor) - Podcast "Conversa Bem Viver" (Brasil de Fato)
Nesta entrevista em áudio (e transcrita na página), o diretor Antônio Araújo detalha a concepção de “Agropeça”. Ele explica como a peça cruza o universo do “Sítio do Picapau Amarelo” (revisitado de forma crítica, expondo traços de racismo e machismo) com o mundo dos rodeios e do agronegócio, para discutir o conservadorismo no Brasil. Araújo destaca a importância do espaço de encenação, ressaltando como a temporada no Galpão Elza Soares (do MST) adicionou novas camadas de significado político à obra. Ele também menciona as dificuldades de patrocínio para circular com a peça pelo interior do país.
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Crítica: "Dos filhos desse Sítio" - Revista Cult
Uma crítica aprofundada escrita por Welington Andrade. O texto analisa “Agropeça” como uma sátira político-ideológica engenhosa e sombria. O crítico elogia o texto de Marcelino Freire, a direção de Antonio Araújo e a atuação do elenco. A análise foca em como a peça subverte o imaginário de Monteiro Lobato para expor o conservadorismo e o racismo estrutural, utilizando a estética do rodeio para desmascarar a “euforia” do agronegócio. O texto também destaca o desenho de luz de Guilherme Bonfanti e a força da corporeidade dos atores em cena.
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Matéria: "Teatro da Vertigem encena Agropeça em arena de rodeio no Sesc Pompeia" - Veja São Paulo
Matéria de Clayton Freitas sobre a estreia da peça no Sesc Pompeia (em 2023). O texto descreve a premissa da peça: transportar os personagens do Sítio do Picapau Amarelo para uma arena de rodeio para debater temas contemporâneos como a influência do agronegócio, diversidade de gênero, racismo e trabalho análogo à escravidão. A matéria menciona a pesquisa do grupo, que incluiu entrevistas com personalidades do rodeio, e contextualiza a obra dentro da trajetória do Teatro da Vertigem, conhecida por suas críticas sociais e ocupação de espaços não convencionais.
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Coluna: "Agro e poder viram alvo crítico na Agropeça teatral" - TV Cultura (Estação Cultura)
Resumo da coluna de Atílio Bari no programa “Estação Cultura”. O texto aborda como a peça questiona a força do agronegócio no Brasil e o lema “o agro é pop”. Destaca a reconstrução dos personagens de Lobato (Pedrinho conservador, Narizinho questionadora, Emília como denúncia social) e menciona que a encenação no espaço do MST ganha força ao incorporar elementos da festa de rodeio, religiosidade e figuras políticas.
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Vídeo: "Teatro da Vertigem em perspectiva" (YouTube)
Neste vídeo, o diretor Antonio Araújo lista os cinco espetáculos mais marcantes da trajetória do Teatro da Vertigem. Ele inclui “Agropeça” como o quinto e mais recente trabalho de destaque, explicando que a peça tenta pensar a ascensão da extrema direita no Brasil e os anos do governo Bolsonaro, dialogando com o agronegócio e revisitando de forma crítica o universo rural do Sítio do Picapau Amarelo.
Vídeo: Trecho do Espetáculo "Agropeça" (YouTube)
Um trecho em vídeo da peça, focado na personagem Tia Anastácia (interpretada por Mawusi Tulani). No trecho, ela se apresenta como a “Rainha de Sinop”, subvertendo expectativas e fazendo um discurso forte sobre independência financeira, processos judiciais contra políticos e a história de exploração e queimadas nas plantações de cana-de-açúcar, demonstrando o tom crítico e a linguagem da montagem.






Artista Veste - Teatro da Vertigem
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Outros espetáculos do Teatro da Vertigem no Trilhas da Cena
APOCALIPSE 1,11 (2000)
Apocalipse 1,11 propôs um mergulho na intersecção dos horizontes individuais e coletivos. A percepção pessoal da passagem do tempo, do envelhecimento e da transitoriedade unia-se a uma consciência mais ampla sobre a mortalidade. O contexto da virada do milênio contribuiu para intensificar essas percepções.Com este trabalho, o Teatro da Vertigem buscou questionar e refletir sobre a dialética entre a esperança e o temor, sem a pretensão de apenas descrever salvação ou destruição. O espetáculo convidou a um mergulho nesse “tempo de transição”, caracterizado por incertezas e crises, e a um confronto com os próprios “apocalipses” individuais.
O LIVRO DE JÓ (1995)
O Livro de Jó foi desenvolvido com a perspectiva de aprofundar elementos vivenciados anteriormente e trazer ao núcleo do Teatro da Vertigem novas diretrizes. Mantendo um processo a partir dos depoimentos pessoais dos atores, o universo temático sofreu uma verticalização nesta montagem. Porém, dessa vez, colocou-se frente a uma dramaturgia mais formalizada trazendo para o grupo o universo da palavra. Se anteriormente a linguagem gestual era a principal expressão das reflexões e vivências do grupo, a partir de então, a palavra começou a entrar no campo das preocupações; a exploração do movimento coral abriu espaço para a construção de personagens; as experimentações corporais sobre as leis da física buscaram transformar-se em treinamentos dos estados internos do ator.
https://trilhasdacena.com.br/o-livro-de-jo/
PARAÍSO PERDIDO (1992)
Com este espetáculo a companhia procurou tratar de algumas das mais recorrentes questões metafísicas: a perda do paraíso, sua nostalgia e a consequente busca de um religamento original. Para tanto se inspirou desde os relatos mesopotâmicos da criação, o gênesis bíblico e os textos apócrifos dos livros de Adão e Eva até a obra de John Milton, “O Paraíso Perdido”, poema responsável pela origem e articulação deste projeto. O Vertigem entende que o mito da queda pode ser associado aos sentimentos contemporâneos de decadência e de nostalgia de um padrão superior de existência. Ele retrata a perda da proximidade às origens da natureza humana e o abandono de um contato ideal com o plano divino.
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