Vermelho Melodrama
Dimenti Produções Culturais
Direção e adaptação: Jorge Alencar
Salvador (BA)
Estreia: 2019
Página atualizada em 30/10/2026
Fotos: Patrícia Almeida
Amores inconfessos, golpes do destino e uma carta que não foi entregue compõem a trama de Vermelho Melodrama. Além disso, cartas íntimas e públicas, cenas de filmes, memes, canções, máscaras, microfones e um emaranhado de fios. Em meio a tempestades de emoções, algumas perguntas: o que pode uma carta em tempos digitais? quais corpos têm direito ao amor? Até onde irão as reviravoltas da cena política do nosso país? Como ativar sentimentos que mobilizem mudanças? A partir das típicas construções melodramáticas, a peça propõe deslocamentos dos papéis de gênero, de jeitos de narrar e das ficções que encharcam nossa realidade.
O espetáculo
Premiado como Melhor Espetáculo do Prêmio Braskem de Teatro 2019, no qual recebeu seis indicações e também levou o troféu de Categoria Especial pelo figurino e adereços de Luiz Santana, “Vermelho Melodrama” mergulha no gênero do melodrama e, a partir de suas típicas construções, aciona questionamentos sobre as dimensões melodramáticas de nossa própria realidade. Baseada em texto do dramaturgo Gildon Oliveira, com adaptação e encenação de Jorge Alencar, a peça, realizada pela Dimenti Produções Culturais, estreou em 2019 e foi reativada sete anos depois, em 2026, quando recebeu sete indicações ao Prêmio Cenym de Teatro Nacional.
Segredos inconfessos, triângulos amorosos e paixões inflamadas se cruzam com o melodrama de acontecimentos políticos do Brasil e do mundo. A história central, inspirada no famoso “crime do ketchup”, ocorrido no interior da Bahia em 2011, gira em torno dos órfãos Lúcio Mauro, Carlos Manuel e Lurdes Maria, que foram criados como irmãos. O motor dramatúrgico é uma carta que não foi entregue a seu destinatário, guardando uma revelação que pode mudar o destino de cada personagem.
À medida em que se desenrola a narrativa principal, o elenco comenta as cenas, lê cartas e faz associações com situações da realidade, com filmes, textos e outras criações artísticas: numa dinâmica entre vivenciar a trama e dialogar sobre a própria experiência cênica, as emoções são amplificadas e põem sentimentos à frente de um pensamento exclusivamente racionalista. Citações de Clarice Lispector, Isildinha Baptista Nogueira, Linn da Quebrada e Georges Didi-Huberman levantam questões como o direito ao amor na contemporaneidade.
O texto original, “Vermelho rubro amoroso… profundo, insistente e definitivo!”, é como uma ode ao melodrama por detalhar meticulosamente a sua arquitetura. Gênero dramático que se firmou no teatro francês no final do século XVIII, caracterizado principalmente pelo acesso direto à sentimentalidade do espectador, o melodrama, desde seu nascedouro, teve grande apelo popular ao mesclar dramaturgia, música, pantomima, narrativas corporais, vaudeville e comédia ligeira. Largamente presente na cultura brasileira, o melodrama é evidenciado na peça como fenômeno atual que atravessa, de diversas formas, as nossas subjetividades: afetos, valores, pensamentos, singularidades.
Ficha técnica e artística
Texto original: Gildon Oliveira (“Vermelho rubro amoroso… profundo, insistente e definitivo!”)
Encenação e adaptação: Jorge Alencar
Criação e elenco: Diogo Lopes Filho, Jorge Alencar, Lia Lordelo, Neto Machado e Véu Pessoa
Criada em colaboração com: Eduardo Gomes e Fábio Osório Monteiro
Canções: Leo Fressato
Trilha sonora original e direção musical: Luciano Salvador Bahia
Direção de arte e identidade visual: TANTO CRIA (Patricia Almeida, Fábio Steque e Daniel Sabóia)
Coordenação técnica: Larissa Lacerda
Figurino e adereços: Luiz Santana
Assistência de direção: Larissa Lacerda e Marina Martinelli
Colaboração artística: Ellen Mello e Jacyan Castilho
Supervisão vocal: Manuela Rodrigues
Desenho de luz: Larissa Lacerda
Coordenação geral: Ellen Mello
Produção: Tais Bichara e Cândida Monte
Financeiro: Marília Pereira
Administrativo: Julia Coelho
Comunicação: Paula Berbert
Realização: Dimenti
Classificação indicativa: 16 anos
Dimenti Produções Culturais
Fundada em 1998 em Salvador, Bahia, a Dimenti atua nos campos de teatro, dança, audiovisual, literatura, projetos editoriais, música, curadoria e formação. Em sua pesquisa poética, cria em diferentes mídias, suportes e espaços, construindo peças cênicas, instalações performativas, obras audiovisuais e literárias focadas em questões como memória e arquivo, relações de gênero e feminismos, infâncias e diversidade. Suas obras já circularam em mais de cinquentas cidades brasileiras e em países como Nova Zelândia, Alemanha, Sérvia, Espanha, Uruguai e Palestina. Criadora do movimento “Arte Dá Trabalho”, que nomeia a sua sede Casa Arte Dá Trabalho, a Dimenti dedica-se à realização de projetos autorais, colaborativos e parcerias, a exemplo do IC Encontro de Artes, realizado desde 2006.
Site: dimenti.com.br
A atualização dos dados desta página bem como a veracidade das informações nela contidas são de responsabilidade da Dimenti Produções Culturais. Caso encontre um erro ou divergência de dados, favor entrar em contato com ele a partir dos links acima ou envie mensagem para contato@dimenti.com.br
Acesse via celular ou tablet e compartilhe.
Compartilhe esta página em outro dispositivo móvel.
QUER TER PÁGINAS NO TRILHAS DA CENA?