Trilhas da Cena

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Senhora dos Afogados

Escrita em 1947 por Nelson Rodrigues, Senhora dos Afogados é uma tragédia dionisíaca que expõe o inconsciente familiar à beira do colapso. Na casa impregnada de sal e luto à beira-mar — onde o oceano ecoa a psique dilacerada —, o juiz Misael (Marcelo Drummond) é assombrado por segredos inconfessáveis. Ao seu redor, giram Moema (Lara Tremouroux), filha intuitiva e intensa, e Eduarda (Leona Cavalli), esposa central em uma teia de silêncios, poder e ressentimentos. Paixões incestuosas, mortes e delírios se misturam em clima fantasmagórico, reforçado por coro de “putas do cais”, trilha original e ambientações sensoriais.

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Agropeça

Em uma arena que evoca rodeios e o centro de um sítio, personagens clássicos do imaginário nacional (Emília, Narizinho, Pedrinho, Tia Nastácia, Dona Benta, Visconde de Sabugosa e Marquês de Rabicó), inspirados em Monteiro Lobato, confrontam-se à mesa de jantar ou domando touros bravos. A montagem critica o universo rural e a influência do agronegócio na sociedade brasileira. Articula episódios políticos recentes, imaginário rural e herança cultural, com o rodeio como metáfora de um Brasil que atualiza estruturas históricas de exploração. A imersão em espaços não convencionais reafirma a linguagem cênica do grupo.

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Uma artista em um vestido vermelho largo e dramático está elevada no palco, iluminada por uma luz vermelha, com seis figuras em silhueta abaixo em um piso xadrez.

Las Choronas

Las Choronas é um espetáculo crítico e provocador, entre o teatro do absurdo e o surrealismo, que aborda amor, identidade, abandono, marginalidade e crítica política. Dirigido e escrito por Byron O’Neill, foi construído de modo colaborativo a partir de improvisações, partituras gestuais, fragmentos poéticos e referências como David Lynch e Samuel Beckett. Em cena, elenco e bonecos se manipulam num jogo visual que tensiona humano/objeto, som/gesto, ouvir/ver. A Libras é integrada como matéria coreográfica e poética, ampliando a experiência sensorial e acessível.

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Uma pessoa usando um gorro preto se segura em uma grade de metal que, na verdade, é um compartimento inferior de uma cadeira estudantil, destinado à colocação de materiais escolares. Uma iluminação dramática projeta sombras em seu rosto. Ela está olhando através das grades, com a boca aberta e com uma fisionomia expressiva e enérgica.

Cuida bem de mim

Cuida Bem de Mim conta a história de uma escola pública que enfrenta as manifestações da violência expressas no conflito de dois grupos, que transformam a sala de aula em verdadeira batalha campal. Ao lado disso, ocorre uma história de amor entre dois adolescentes líderes de grupos rivais que, por um golpe de destino, se veem confrontados em suas escolhas de vida, desejos e significados afetivos e sociais. O romance acontece em um momento crítico, quando a atmosfera da violência contamina todo o ambiente, o que os obriga a refletirem sobre o papel da educação na vida de cada um.

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Velocidade

Décimo espetáculo do grupo mineiro Quatroloscinco, Velocidade, convida o espectador a repensar a relação com o tempo na vida contemporânea. A peça se estrutura como capítulos de um livro. Dramaturgia e encenação constroem uma peça-livro-sonho que afirma o teatro como uma máquina de desacelerar o tempo. Situações diversas e sobrepostas abordam a percepção humana do tempo a partir de relações familiares e de trabalho, rotina de vida, memórias de infância, sonhos recuperados e a incerteza do futuro.

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Uma pessoa de cabelos curtos se aproxima de outra pessoa com cabelos loiros encaracolados e maquiagem dramática, que parece estar com os olhos arregalados e gritando. A cena é banhada por uma intensa iluminação laranja, criando um clima dramático e teatral.

A Farinhada

Primeiro espetáculo de palco do grupo Joana Gajuru, A Farinhada narra a história de Pedro Bom e Rosa Maria, que junto com os trabalhadores de uma casa de farinha do interior alagoano, sofrem a opressão e perseguição do patrão. Ficou no repertório do grupo Joana Gajuru até 2006. Nesse período, ganhou cerca de 30 prêmios, mais de 50 indicações, percorreu mais de 30 cidades do País e foi vista por mais de 100 mil pessoas.

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Uma mulher em uma sala escura segura uma tigela e um tambor, usando roupas pretas e miçangas. Atrás dela, há pessoas assistindo. O texto no canto superior esquerdo diz: O Teatro e a Democracia Brasileira Parte Um.

Quaseilhas

Quaseilhas (1º crioullage), fundamenta-se através de performances, visualidades e sonoridades dentro dos vazios da memória afrodiaspórica das Araújas, família materna do autor Diego Araúja; descendentes de negras e negros da etnia yorùbá ijesa, da cidade nigeriana de Iléṣà. Usando da literatura oral yorubana, Araúja compõe um oríkì para a sua família e a comunidade de Alagados de Itapagipe. Exercita, através dessa performance oral, a substituição do esquecimento pela invenção. O artista compõe o oríkì totalmente na língua yorùbá. O idioma foi a língua base de um falar crioulo, doméstico – hoje extinto –, de sua família materna. Dentro do núcleo familiar, era chamado de “trocar língua”.

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Luzir é negro

“Luzir é Negro” é um espetáculo autobiográfico do ator e cantor Marconi Bispo, dirigido por Rodrigo Dourado e produzido pelo Teatro de Fronteira. A peça investiga o racismo através das memórias de um homem negro, gay, candomblecista e periférico, entrelaçando sua trajetória pessoal, teatral e espiritual com textos teatrais e debates sobre questões raciais contemporâneas. A dramaturgia transita entre passado e presente, público e privado, ficção e realidade, explorando a encruzilhada entre luz e escuridão.

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Enfim um líder

Enfim um Líder é a obra mais ambiciosa do ERRO Grupo, um acontecimento imersivo que ultrapassa o teatro tradicional. Durante 3 dias consecutivos (42 horas), cidadãos participam de uma recepção ao Líder, das 6h às 20h, culminando com sua chegada no terceiro dia. O projeto transforma centros urbanos em espaço de experiência coletiva, ocupando e se diluindo simultaneamente no cotidiano. Representa a continuação da pesquisa do grupo sobre intervenção urbana desde 2001, funcionando como um acontecimento histórico, político e social que desafia todos os envolvidos.

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A cidade dos rios invisíveis

Espetáculo itinerante criado pelo Coletivo Estopô Balaio que conduz o público em jornada teatral pela Linha 12-Safira da CPTM, de São Paulo. O percurso inicia na Estação do Brás e segue até o Jardim Romano, na zona leste, onde intervenções artísticas — dança, rap, performances e instalações multimídia — se entrelaçam com as memórias dos moradores sobre a enchente de 2009. Terceira parte da “Trilogia das Águas”, o trabalho resgata histórias de migrantes nordestinos e pratica o “contrateatro”, uma abordagem anticolonial que transforma o deslocamento físico em construção de memória coletiva.

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