Sinopse
Dois atores (Carolina Virgüez e Rafael Bacelar) e um músico (Felipe Storino) levam à cena fragmentos de vivências e memórias despertados por fotos, canções, vestígios e histórias - reais e ficcionais – sobre as rejeições, o abandono parental, o preconceito, as relações familiares, as guerras e outras experiências que descortinam um mundo fraturado que não mais se sustenta na “história oficial”. Ela não dá conta das múltiplas verdades que não aceitam mais ser apagadas ou silenciadas ao longo do tempo.
O espetáculo
"Se não fizermos a História, seremos feitos por ela."
A História é a disciplina, ou a ferramenta de que a humanidade dispõe para ter sua memória preservada ao longo dos séculos, ou milênios. Para ter a possibilidade de olhar para trás e tentar entender de onde veio. Mas, quem garante sua autenticidade? Um novo sítio arqueológico descoberto e tudo pode mudar. Uma nova voz ouvida pode mudar a versão dos fatos, e reescrever a história. É o que mais testemunhamos na contemporaneidade: as vozes pretas, LGBTQIA+, indígenas e outras tantas estão reescrevendo a história.
Então, fica a pergunta: quem está verdadeiramente licenciado para escrever a história? E ainda que licenciado, quantas histórias está apagando em favor de uma única?
É nessa chave que se inscreve o novo espetáculo da companhia brasileira de teatro. HISTÓRIA vem refletir e se insurgir sobre os velhos mecanismos de formulação das verdades estabelecidas. Com texto construído coletivamente, integra uma trilogia formada por [Ao vivo] Dentro da cabeça de alguém, de 2024; e Sonho elétrico, de 2025, ambos em turnê nacional. O espetáculo investiga o cruzamento entre a memória individual e a coletiva, entendendo que cada corpo é memória, portanto, história. E sendo memória e história, pode, no tempo presente, criar novas memórias e agir no futuro.
"Criar possibilidades de futuro, isso só será possível quando entendermos nossa capacidade de imaginar e sonhar futuros possíveis agora, em cada ação que fizermos diariamente. Essa consciência em ação traz para o centro da roda outras noções de memória. Esse é o tempo de criar memória, imaginando como a vida pode ser e fazendo ela acontecer apesar de todo fluxo contrário e muitas vezes impeditivo e que insiste em nos empurrar para um abismo de padronização e apagamento.", afirma Marcio Abreu.
O teatro revela-se território seguro e fértil para essa investigação, porque comporta a subjetividade e o sonho. Trançando as memórias do elenco e equipe à imaginação, o espetáculo corporifica não as respostas, mas as perguntas que inquietam gerações.
HISTÓRIA se desdobra não de forma linear, mas por associações de ideias, de forma orgânica e "desordenada", como experimentamos cotidianamente, na "vida real". Não à toa o cenário de Marcelo Alvarenga é formado por escombros, restos de um mundo em ruínas, explodido e em movimento. A ação se alterna entre relatos individuais e momentos de interação a dois ou a três. A música ao vivo também é ação, executada por Felipe Storino, que canta e toca guitarra.
O espetáculo HISTÓRIA foi viabilizado pela Petrobras e pelo Ministério da Cultura por meio da Lei Rouanet.
Galeria de fotos
Fotografias realizadas por Guto Muniz nos dias 17 de julho de 2026, no CCBB RJ.
Ficha técnica e artística
Matérias e críticas
Artista Veste - companhia brasileira de teatro
Sobre a companhia brasileira de teatro
A companhia brasileira de teatro é um coletivo de artistas de várias regiões do país fundado pelo dramaturgo e diretor Marcio Abreu em 2000, em Curitiba/PR. Sua pesquisa é voltada sobretudo para novas formas de escrita e para a criação contemporânea.
Entre suas principais realizações, peças com dramaturgia própria, escritas em processos colaborativos e simultâneos à criação dos espetáculos, como Sem Palavras (2021); PRETO (2017); PROJETO bRASIL (2015); Vida (2010); O que eu gostaria de dizer (2008).
Há ainda uma série de criações a partir da obra de autores inéditos no país como uma adaptação da obra Platonov de Anton Tchekov intitulada POR QUE NÃO VIVEMOS? (2019); a peça Krum (2015) de Hanock Levin; Esta Criança (2012), de Joël Pommerat; Isso te interessa? (2011), a partir do texto Bon, Saint-Cloud, de Noëlle Renaude; Oxigênio (2010), de Ivan Viripaev, Apenas o fim do mundo (2006) de Jean Luc Lagarce; Suíte 1 (2004) de Phillipe Myniana.Suas peças mais recentes são AO VIVO [dentro da cabeça de alguém] (2024), com texto e direção de Marcio Abreu, e Sonho Elétrico (2025), texto e direção de Marcio Abreu com interlocução do neurocientista, capoeirista e pensador Sidarta Ribeiro.
A companhia realiza ainda frequentes intercâmbios com outros artistas no país e no exterior, mantém um repertório ativo e circula com frequência pelo Brasil e Europa. Recebeu os principais prêmios das artes no país.


