A proposta do curso é promover encontros semanais para a discussão de conceitos e proposições teóricas relevantes para o pensamento crítico sobre teatro na atualidade, a partir de aulas expositivas e debates sobre textos em diferentes formatos. Dividido em módulos independentes, o curso se organiza em torno de um tema nuclear a cada módulo.
Os textos são compartilhados a cada semana para que sejam lidos previamente. Serão compartilhados artigos, ensaios, críticas ou capítulos de livro; eventualmente, obras de artes cênicas e de outras artes podem integrar a discussão. Cada encontro conta com uma contextualização sobre a escolha do texto, seus principais argumentos e sua relevância para o tema nuclear do módulo, seguida de debate com o grupo. Embora cada edição seja preparada previamente, a dinâmica das aulas leva em consideração o desdobramento das conversas e o perfil da turma. Por conta dessa maleabilidade, o plano de aulas não é divulgado previamente.
O módulo 1, composto por 5 encontros, propõe uma discussão sobre o conceito de mímesis, revisando seu uso impreciso na cultura do teatro e os prejuízos desse desentendimento ao pensamento crítico sobre a cena contemporânea. Os 5 encontros vão se dar às segundas-feiras das 19h às 21h, de 17 de agosto a 21 de setembro (não haverá aula dia 7 de setembro).
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
Aula inicial: A fotografia como forma de expressão pessoal e artística
Esta aula apresenta a base que diferencia este curso da maioria dos cursos de iniciação à fotografia: a compreensão de que, para alguém se expressar através da fotografia, o ensino da técnica deve caminhar lado a lado com o pensamento sobre a imagem. Vamos conversar sobre como a fotografia vem sendo realizada e estudada ao longo de sua história e como isso se refletirá nos quatro módulos do curso.
Módulo 1: O Olhar
Para começar o aprendizado em fotografia, é preciso primeiro entender como enxergamos o que nos rodeia, e só então compreender como o olho humano e a câmera fotográfica se relacionam, com suas diferentes óticas. A partir daí, começamos a ler uma imagem pelo estudo da composição dos seus elementos e do ponto de vista sob o qual cada uma é capturada. São conhecimentos que dependem muito pouco do equipamento que temos em mãos e muito mais do desenvolvimento do nosso olhar. A base de nosso estudo aqui é a ótica.
Módulo 2: A Luz
A fotografia é a escrita da luz. Aqui mergulhamos no estudo das três variáveis fundamentais da captura da imagem: sensibilidade, abertura do diafragma e velocidade do obturador. Entenderemos como elas se combinam para controlar a intensidade da luz que forma a imagem. Mas não se trata apenas de dominar a técnica: cada ajuste na luz altera o que a sua foto comunica. Por isso, estudaremos a fotometria tanto na iluminação natural quanto na artificial com foco no controle criativo da luz a serviço da sua intenção expressiva.
Módulo 3: A Imagem
Toda imagem digital carrega escolhas que vão além do clique. Neste módulo, exploramos os fatores técnicos que impactam diretamente a qualidade e o destino das suas fotos: o que são os sistemas de cor RGB e CMYK e quando usar cada um? Qual a resolução ideal para cada aplicação? Como garantir que uma impressão saia fiel ao que você capturou? Que formato de arquivo escolher (JPG, PNG, TIFF, PSD, RAW) e por quê? Mais do que decorar especificações, o objetivo é que você saiba tomar decisões conscientes, da captura ao arquivo final, para que a imagem chegue onde você quer exatamente como você a concebeu.
Módulo 4: O Ensaio (opcional)
A fotografia tem uma linguagem própria. Carrega sentimentos, conceitos e, quando associadas, criam narrativas. Neste módulo, você vai exercitar tudo o que aprendeu na execução de um ensaio fotográfico com tema de sua escolha. A grande diferença está no formato: você terá 3 encontros coletivos para discutir referências, planejar o ensaio e compartilhar resultados com a turma, mais 1 encontro individual de 1 hora com o professor para orientação personalizada, desde a concepção do tema até a edição final das imagens. É o momento em que a técnica e a expressão se encontram no seu próprio trabalho, com direcionamento feito sob medida para você.
Vagas limitadas a 9 alunos neste módulo, garantindo a qualidade da orientação individual.
A fotografia de cena exige mais que domínio técnico. Exige imersão em um rico e complexo universo, sensibilidade para capturá-lo e capacidade de traduzir essa vivência em imagens que dialoguem com cada espetáculo. Este curso propõe exatamente isso: um mergulho na fotografia de espetáculos a partir de 39 anos de estrada, em que teoria e prática se encontram na experiência real de quem fotografou mais de 2 mil diferentes espetáculos.
Não se trata apenas de ensinar as técnicas para fotografar teatro, dança, circo ou performance. Trata-se de estudar cada espetáculo, entender sua proposta, respeitar seu tempo e transformar tudo isso em imagens que documentam, divulgam e emocionam. A condução é de Guto Muniz, fotógrafo de cena desde 1987.
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
1º encontro — Cena e memória: uma história em construção
Um panorama da fotografia de cena no Brasil dos anos 1940 até hoje. Vamos conhecer profissionais que marcaram época, entender como as demandas mudaram com a tecnologia e discutir o papel do fotógrafo não como mero realizador de registros, mas como guardião de memória.
2º encontro — Onde e como a cena acontece
Os diferentes palcos, os espaços alternativos e a rua. As diferentes artes: o teatro, a dança, o circo, a arte da performance. Cada espaço e cada arte impõem um tipo de olhar, um posicionamento, uma distância, uma abordagem técnica. Vamos percorrer essa diversidade a partir de casos reais vividos em cada uma destas situações.
3º encontro — Postura, ética e equipamento O que ninguém ensina: como se relacionar com artistas, diretores e público sem atrapalhar o espetáculo. Quando fotografar e quando baixar a câmera. Equipamentos que funcionam na prática e os que parecem boa ideia, mas podem até atrapalhar.
4º encontro — Do disparo ao acervo
Fluxo de trabalho completo: registro, edição, tratamento. E uma introdução a algo que poucos fotógrafos fazem: organizar um acervo com critério, pensando na memória e não apenas no próximo post.
5ª encontro (opcional/individual) — Mentoria de edição
3 horas individuais para acompanhar a edição de um trabalho seu de fotografia de cena, com devolutiva personalizada. Agendada entre professor e aluno conforme disponibilidade de ambos.
O imediatismo digital faz com que a fotografia seja criada, publicada e praticamente descartada no mesmo movimento. Imagens que poderiam ser documentos, matéria-prima para novos trabalhos ou marcos de uma trajetória profissional se perdem em timelines, quando não em HDs corrompidos, formatos obsoletos ou pastas que ninguém mais sabe onde estão.
Este curso parte da fotografia de cena (teatro, dança, circo e a arte da performance) como campo de estudo para discutir uma questão que atravessa todas as práticas fotográficas: o que fazer com o que já produzimos? Como organizar, preservar e, principalmente, reinventar o próprio acervo em novos projetos?
Ao longo de 5 encontros online e ao vivo, vamos alternar reflexão crítica e prática concreta. De um lado, a história dos registros fotográficos nas artes cênicas brasileiras e os projetos que vem ajudando a construir a memória da cena brasileira. De outro, a organização real de acervos: digitalização de originais analógicos, metadados, formatos digitais, métodos de backup e preservação.
Um fio condutor que atravessa todos os encontros é o papel político e autoral de quem fotografa: as escolhas que fazemos ao registrar, editar, preparar e disponibilizar as imagens. O clique é apenas o primeiro elo de uma corrente inteira de escolhas.
A premissa central: um acervo não é um depósito do passado, mas um organismo vivo com o qual podemos sempre dialogar e que pode gerar exposições, publicações, produtos, pesquisas e novos olhares sobre o próprio trabalho.
O curso não ensina a fotografar, mas a pensar a fotografia que já foi feita e a que ainda será feita com mais consciência, cuidado e potência criativa.
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
Encontro 1:
Os registros fotográficos no decorrer da história das artes cênicas brasileiras:
O que foi documentado?
O que chegou até nós?
Como chegou?
Acervos: memória é patrimônio.
Encontro 2:
Projetos de memória.Escolhas: o papel político do fotógrafo.
Poéticas documentais.
Encontro 3:
Fotografia de cena explorada de forma inventiva: propostas para edições repensadas.
Encontro 4:
Organização de acervos: digitalização de analógicos, metadados, formatos digitais, backups.
Encontros 5:
Pensamentos e propostas: o que fazer, na prática?