Trilhas da Cena

São Paulo

Senhora dos Afogados

Escrita em 1947 por Nelson Rodrigues, Senhora dos Afogados é uma tragédia dionisíaca que expõe o inconsciente familiar à beira do colapso. Na casa impregnada de sal e luto à beira-mar — onde o oceano ecoa a psique dilacerada —, o juiz Misael (Marcelo Drummond) é assombrado por segredos inconfessáveis. Ao seu redor, giram Moema (Lara Tremouroux), filha intuitiva e intensa, e Eduarda (Leona Cavalli), esposa central em uma teia de silêncios, poder e ressentimentos. Paixões incestuosas, mortes e delírios se misturam em clima fantasmagórico, reforçado por coro de “putas do cais”, trilha original e ambientações sensoriais.

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Agropeça

Em uma arena que evoca rodeios e o centro de um sítio, personagens clássicos do imaginário nacional (Emília, Narizinho, Pedrinho, Tia Nastácia, Dona Benta, Visconde de Sabugosa e Marquês de Rabicó), inspirados em Monteiro Lobato, confrontam-se à mesa de jantar ou domando touros bravos. A montagem critica o universo rural e a influência do agronegócio na sociedade brasileira. Articula episódios políticos recentes, imaginário rural e herança cultural, com o rodeio como metáfora de um Brasil que atualiza estruturas históricas de exploração. A imersão em espaços não convencionais reafirma a linguagem cênica do grupo.

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Retrato de Yara. Foto: Fábio Audi

Yara de Novaes

Sou atriz, fundamentalmente atriz. Daí vem minha a imaginação para dirigir um espetáculo, montar uma aula, pensar um projeto.

Escolhi ser atriz desde que, aos 14 anos, levada por minha irmã, Denise, assisti a um espetáculo no auditório da Universidade Católica de Minas gerais, em que uma atriz (que infelizmente não sei quem é) num foco amarelado, feito por um refletor ordinário, conseguia, sozinha, criar matéria, energia, espaço e tempo.

Em 1982, entrei como bolsista na oficina de teatro de Pedro Paulo Cava e nunca mais deixei de trabalhar com aquilo que me salvou, libertou, soltou, melhorou.

Fundei e participei de três companhias de teatro: Grupo Teatral Encena e Odeon Companhia Teatral, em Belo Horizonte; e Grupo 3 de Teatro, em São Paulo. Nelas pude me experimentar em diversos papéis, nelas me formei como diretora e tive grandes parceiros e parceiras. Também fora delas tudo isso aconteceu.

Também sou professora de teatro, desde 1992. Trabalhei na PUC Minas, UNI-BH, UFPE e FAAP-SP.

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Manifesto Transpofágico

Manifesto Transpofágico é um espetáculo teatral solo de Renata Carvalho que ressignifica o Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade sob perspectiva transgênero. Mesclando autobiografia, ficção e intervenção política, a montagem utiliza projeções, cenografia minimalista e trilha eletrônica para explorar corpos em constante transformação. Desde 2019, circula por festivais nacionais e internacionais.

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A cidade dos rios invisíveis

Espetáculo itinerante criado pelo Coletivo Estopô Balaio que conduz o público em jornada teatral pela Linha 12-Safira da CPTM, de São Paulo. O percurso inicia na Estação do Brás e segue até o Jardim Romano, na zona leste, onde intervenções artísticas — dança, rap, performances e instalações multimídia — se entrelaçam com as memórias dos moradores sobre a enchente de 2009. Terceira parte da “Trilogia das Águas”, o trabalho resgata histórias de migrantes nordestinos e pratica o “contrateatro”, uma abordagem anticolonial que transforma o deslocamento físico em construção de memória coletiva.

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Apocalipse 1,11

Apocalipse 1,11 é um espetáculo do Teatro da Vertigem criado em 1998, inspirado no texto bíblico de São João. Ambientado em presídio, explora tensões do fim do milênio, questionando a natureza do Mal e refletindo sobre violência e exclusão social. A obra mergulha na dialética entre esperança e temor, convidando o público a confrontar “apocalipses” individuais e coletivos em tempos de crise e transição.

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Uma pessoa com o rosto sujo de sangue é iluminada por uma única fonte de luz em um ambiente escuro. Ela está juntando as mãos e olhando em direção à luz, projetando sombras em suas feições. O fundo está quase todo obscurecido pela escuridão. Foto: Guto Muniz

O Livro de Jó

O Livro de Jó marca evolução dramatúrgica do Teatro da Vertigem, incorporando a palavra como elemento central. Encenado em hospital, o espetáculo explora sofrimento e vulnerabilidade humana através do texto bíblico. A montagem representa transição da linguagem gestual para construção de personagens, transformando o espaço hospitalar em lugar de reflexão sobre morte e fragilidade da condição humana.

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Quatro pessoas em trajes teatrais estão dramaticamente de pé com os braços ao lado do corpo entre bancos de igreja, de frente para direções diferentes. Outra pessoa está sentada de costas para o espectador, olhando para elas. O cenário tem uma iluminação atmosférica e dourada. Foto: Guto Muniz

Paraíso Perdido

O Paraíso Perdido é um espetáculo do Teatro da Vertigem que explora questões metafísicas fundamentais: a perda do paraíso e a nostalgia das origens. Inspirado na obra de John Milton, textos bíblicos e relatos mesopotâmicos, a montagem associa o mito da queda aos sentimentos contemporâneos de decadência. Utilizando o universo da infância como metáfora, investiga a condição humana e nossa busca ancestral por religamento original.

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Uma mulher idosa está sentada em uma cadeira vermelha lendo um pedaço de papel, enquanto uma mulher mais jovem ao lado dela, vestida com uma jaqueta amarela, está inclinada com a cabeça apoiada na mão contra uma parede pintada de azul e turquesa. Foto: Tetembua Dandara

Eu tenho uma história que se parece com a minha

A obra atravessa diferentes gerações da família da artista Tetembua Dandara. Ativada pelo encontro da performer e sua avó, Dirce Poli, com intervenções de sua mãe, Neuza Poli, e de sua irmã, Mafoane Odara. A instalação convida o público a adentrar um espaço que remete a uma sala de vó, a um quintal ou mesmo a uma festa dos anos 1990. Ali, narrativas são reconstruídas pelas vozes, sabores e olhares dos presentes, que podem transitar pelo espaço e pelas histórias por quanto tempo desejarem. O trabalho teve como ponto de partida o livro fotográfico homônimo idealizado pela performer, que traz espaços em branco (e preto), estabelecendo um diálogo de imagens e poucas palavras.

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